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Curiosidade FORTUNA ESQUECIDA

Herança de 32 milhões de Cruzados: Fortuna esquecida em mala perde valor com o tempo

Após a morte do pai, irmãos descobrem cédulas antigas que hoje não possuem valor financeiro significativo; desconfiança em bancos levou ao armazenamento doméstico

26/12/2024 às 06h34
Por: Douglas Ferreira
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O dinheiro perdeu valor com a troca de moeda no Brasil - Foto: Reprodução
O dinheiro perdeu valor com a troca de moeda no Brasil - Foto: Reprodução

Após o falecimento de Paulo Abreu, aos 77 anos, em Araguaína, Tocantins, seus filhos descobriram uma mala contendo quase 32 milhões de Cruzados, moeda que circulou no Brasil entre 1986 e 1989.

O técnico de manutenção Waloar Pereira Magalhães, um dos filhos, relatou que o pai, desconfiado de instituições bancárias, optou por guardar o dinheiro em espécie. Paulo Abreu teve uma vida profissional diversificada, atuando como garimpeiro, dentista e investidor imobiliário.

Economistas estimam que, corrigidos pela inflação acumulada entre 1990 e 2024, os 32 milhões de Cruzados equivaleriam a aproximadamente R$ 23,6 milhões. Contudo, devido às sucessivas mudanças no padrão monetário brasileiro, as cédulas e moedas encontradas não possuem mais valor de face.

Waloar Magalhães, um dos herdeiros, disse que o pai, desconfiado de instituições bancárias, optou por guardar o dinheiro em espécie - Foto: Reprodução

Especialistas em numismática avaliam que, apesar do volume, as notas e moedas têm valor comercial limitado, pois são comuns entre colecionadores. O estado de conservação das cédulas, com marcas de dobras e manchas, também impacta negativamente na valorização.

O Banco Central informa que o prazo para conversão dos Cruzados expirou em 1989, impossibilitando a troca por moeda corrente. Se o montante tivesse sido trocado e investido à época, poderia ter rendido significativamente, dependendo da aplicação escolhida.

A descoberta suscitou reflexões sobre a volatilidade econômica do período e a desconfiança de parte da população em relação ao sistema bancário, levando indivíduos como Paulo Abreu a armazenar grandes quantias em espécie.

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