
A cereja é uma das frutas que marcam presença nas festas de fim de ano em todo o Brasil, especialmente durante o Natal. Embora a escolha das frutas varie de acordo com a região, a cereja se destaca nas sobremesas e até mesmo em pratos salgados, como carnes e saladas. Sua popularidade é incontestável no Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, tornando-se uma iguaria presente nas ceias de Natal.
No entanto, muitos brasileiros desconhecem que a cereja consumida durante esse período não é produzida comercialmente no país. Em 2024, o Brasil importou grandes quantidades dessa fruta, com destaque para o Chile, segundo dados do Comex Stat, portal do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. De janeiro a novembro de 2024, o Brasil comprou mais de 1,5 milhão de quilos de cereja chilena, além de pequenas quantidades dos Estados Unidos, Argentina e Espanha.
De onde vem, então, a cereja consumida no Brasil? Os principais países exportadores são o Chile, os Estados Unidos, a Argentina e a Espanha. O Chile lidera com ampla vantagem, sendo responsável por mais de 1,5 milhão de quilos exportados para o Brasil, seguido pelos Estados Unidos, que enviaram cerca de 450 mil quilos. A Argentina e a Espanha somam volumes bem menores de exportação.
Segundo Alberto Fontanella Brighenti, professor de fruticultura e viticultura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a época de colheita da cereja coincide com o período de alta produção no Chile, que é o principal exportador da fruta. Nos outros períodos, é possível encontrar cerejas dos Estados Unidos e da Espanha, mas em menor volume. A Argentina também exporta, mas de forma limitada, com produção que não chega a competir com a do Chile.
A razão pela qual o Brasil não tem uma produção comercial de cerejas está relacionada ao clima. A fruta exige condições específicas para se desenvolver, como temperaturas baixas e tempo seco durante a floração e a colheita. No Sul do Brasil, onde o frio é mais intenso, as geadas e até a neve não são suficientes para garantir o cultivo adequado da cereja. Além disso, o excesso de umidade nas estações chuvosas prejudica a produção, já que as chuvas frequentes dificultam a fecundação e podem causar rachaduras nos frutos.
Tentativas de cultivo no Brasil, como as realizadas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) nas décadas de 80 e 90, não foram bem-sucedidas. Experimentos em São Joaquim, uma das cidades mais frias do país, mostraram que a cerejeira florescia, mas não produzia frutos de boa qualidade, além de apresentar rachaduras nas cascas. Para viabilizar a produção nacional, seria necessário um investimento em tecnologia, como o cultivo protegido em estufas, ou buscar variedades de cereja com menor exigência de frio, como as cultivadas em Portugal e Espanha.
De onde vem a cereja vendida no Brasil
Países exportadores Quantidade comprada* Valor pago**
Chile 1.544.685 6.781.097
Estados Unidos 447.628 3.526.974
Argentina 23.980 60.732
Espanha 2.850 18.727
As variedades predominantes de cereja exportadas para o Brasil são lapins e santina, do Chile, e bing e rainier, dos Estados Unidos. A busca por alternativas para o cultivo da cereja no Brasil segue como um desafio, mas as possibilidades de pesquisa e adaptação continuam abertas.
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