
O preço do café deverá ultrapassar R$ 54,00 por quilo às vésperas do Natal, com um aumento estimado de 10% a 15% no varejo, segundo a Associação Brasileira de Indústrias de Café (Abic). Em novembro, o quilo do pó tradicional ou extraforte já era vendido, em média, a R$ 49,50, representando uma alta de pelo menos R$ 8 desde julho. A tendência é que o reajuste continue no início de 2025.
O aumento é impulsionado pela valorização dos grãos arábica e robusta no mercado internacional, resultado de condições climáticas adversas, como secas intensas que afetaram Brasil e Vietnã, principais produtores globais. Essa alta nas bolsas internacionais já é a maior desde 1977, segundo especialistas. No varejo, marcas líderes como 3Corações, JDE (dona do Pilão) e Melitta estão aplicando aumentos expressivos, que variam entre 20% e 25%.
O impacto no campo é evidente. No Brasil, a safra 2025/26 está ameaçada por plantas estressadas pelo calor, que produzem menos frutos e priorizam a sobrevivência. A previsão para essa safra é de 34 a 40 milhões de sacas, uma queda acentuada frente às 66 milhões de sacas previstas para 2024/25. Outros grandes produtores, como Vietnã e Colômbia, enfrentam desafios semelhantes, com secas que prejudicam a produtividade.
No mercado, os preços de diversas categorias de café dispararam. De janeiro a novembro, o café em pó subiu 33%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Produtos derivados, como cappuccinos e bebidas geladas, também registraram aumentos. Um cappuccino de 250 ml, que custava R$ 7,90 no início do ano, agora é vendido a R$ 12,90 em mercados de São Paulo.
As perspectivas para 2025 indicam que os preços devem permanecer elevados, com estoques globais reduzidos e a chegada do inverno no Hemisfério Norte, período de maior consumo. O especialista Eduardo Carvalhaes destaca que apenas 20% da safra brasileira de 2024 ainda está nas mãos dos produtores, o que pode acentuar a volatilidade dos preços no início do próximo ano. A expectativa é que o mercado só comece a se equilibrar após 2026, com a normalização do calendário climático.
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