
O PIB da agropecuária brasileira recuou 0,9% no terceiro trimestre de 2024, impactado pela redução na produtividade de culturas importantes, como laranja, milho e cana-de-açúcar. A queda contrasta com o crescimento de 0,9% do PIB nacional no mesmo período, puxado pelos setores de serviços e indústria. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo Sérgio Vale, consultor econômico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o recuo era esperado devido aos efeitos das intempéries e incêndios que atingiram grandes áreas agrícolas. “O clima seco, as chuvas abaixo da média histórica e os incêndios prejudicaram severamente o desenvolvimento das lavouras em regiões-chave do país”, explicou o especialista.
Culturas como laranja, milho e cana-de-açúcar registraram quedas de 14,9%, 11,9% e 1,2% na produção, respectivamente. Embora outras culturas, como algodão e trigo, tenham apresentado crescimento significativo, não foram suficientes para compensar as perdas. Só os incêndios em áreas de cana-de-açúcar, concentrados no Sudeste e Centro-Oeste, resultaram na destruição de 414 mil hectares, com prejuízo estimado em R$ 2,67 bilhões, segundo a Orplana.
As condições climáticas adversas também afetaram a projeção de produção para as próximas safras. A produção de cana deve cair 9% na safra 2024/25, com estimativa de 590 milhões de toneladas. A laranja, outra cultura fortemente impactada, tem previsão de redução para 215,8 milhões de caixas no próximo ciclo, reflexo de temperaturas mais altas, chuvas escassas e doenças como o greening, segundo a CitrusBR.
Mesmo com o crescimento de 0,9% no PIB nacional no período, puxado principalmente pelo setor de serviços e pela indústria de transformação, a retração da agropecuária preocupa especialistas. Para Sérgio Vale, o desempenho do agronegócio será decisivo para o ritmo da economia brasileira nos próximos trimestres, especialmente diante das adversidades climáticas que continuam pressionando o setor.
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