
Imagine viver mais de dois meses na escuridão da noite. Essa é a realidade de Utqiaġvik, cidade localizada no extremo norte do Alasca, nos Estados Unidos, onde os invernos são rigorosos. Este ano, o último pôr do sol ocorreu na segunda-feira, 18 de novembro, marcando o início da noite polar, que seguirá até 22 de janeiro de 2025. Nesse dia, o sol voltará a aparecer por volta das 13h15, no horário local.
O fenômeno, causado pela inclinação axial da Terra, faz com que o sol permaneça abaixo do horizonte por semanas ou meses em regiões próximas ao Círculo Polar Ártico. Apesar do período de escuridão prolongada, a prefeita Asisaun Toovak afirma que os moradores de Utqiaġvik estão habituados e aproveitam a luminosidade contínua de maio a agosto. “Finalmente podemos descansar quando o sol se põe”, comenta ela.
Jennifer Mercer, chefe do departamento de ciências árticas da National Science Foundation, explica que a escuridão não é absoluta. Durante a noite polar, o fenômeno conhecido como “crepúsculo civil” ilumina o céu suavemente por algumas horas, variando de três a seis horas ao longo do período. Nesses momentos, o céu adquire tons azulados e violetas, oferecendo um contraste à escuridão predominante.
Quando o sol retorna, a cidade celebra. Segundo Toovak, a Iḷisaġvik College, única faculdade tribal do Alasca, organiza anualmente uma festa com apresentações de cantores, dançarinos e tocadores de tambor que realizam a “dança de boas-vindas ao sol”. “É um momento de cura para nossa comunidade”, destaca a prefeita, evidenciando o orgulho cultural de Utqiaġvik.
O retorno do sol em janeiro coincidirá com a posse presidencial nos Estados Unidos. Enquanto Donald Trump assume o cargo em 20 de janeiro, os moradores de Utqiaġvik estarão na reta final de sua longa noite, aguardando ansiosamente a luz do dia.
A noite polar, fenômeno exclusivo de regiões acima dos Círculos Polares Ártico e Antártico, varia em duração conforme a latitude. No hemisfério norte, ela ocorre de setembro a março, enquanto no sul, de março a setembro. Além de Utqiaġvik, localidades no Canadá, Groenlândia, Noruega, Rússia e Finlândia também enfrentam essa peculiar escuridão anual.
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