
Para o agronegócio brasileiro, além de intensificar esforços em práticas sustentáveis, é essencial comunicar ao mercado internacional as boas práticas que já são adotadas, aponta Els Kamphof, diretora global do portfólio agro do Rabobank. Segundo a executiva, o Brasil possui algumas das iniciativas mais bem-sucedidas de produção agrícola sustentável no mundo, mas a mensagem sobre essas práticas nem sempre chega aos compradores estrangeiros.
O Rabobank, especializado em crédito para o setor agrícola, tem em sua clientela importantes multinacionais que participam das discussões sobre sustentabilidade e preservação ambiental no Brasil. Essas empresas também levantam preocupações associadas à agropecuária nacional, que, em alguns casos, são justificadas, mas em outros são vistas de forma distorcida ou injusta. Assim, as percepções dessa clientela funcionam como um termômetro sobre o que se comenta do agro brasileiro nos fóruns internacionais.
“Hoje, o mundo todo está falando sobre agricultura regenerativa, e, no Brasil, acredito que 60% dos produtores trabalham com esse tipo de cultivo. Esse número é impressionante”, afirmou Kamphof. “São histórias que se precisa levar para fora do Brasil. Nossos clientes na Europa têm que conhecer esses dados.”
Kamphof conversou com o Valor durante uma visita à América do Sul feita pelo comitê de supervisão do Rabobank. A comitiva, formada por 12 pessoas, se dividiu entre Brasil, Chile e Argentina, e Kamphof visitou a produção de cana e etanol em São Paulo. O comitê supervisiona o trabalho do conselho de administração do banco e avalia o cumprimento de diretrizes sustentáveis na concessão de crédito. A visita mostrou como o contato direto pode ser mais eficaz para defender os interesses do agro brasileiro do que discursos agressivos.
A COP30, que ocorrerá em Belém em 2025, é vista por Kamphof como uma oportunidade para o Brasil reafirmar seus avanços em práticas sustentáveis. “O Brasil não pode fazer da COP30 a ‘COP do Desmatamento’”, alertou a diretora. Fabiana Alves, principal executiva do Rabobank na América do Sul, também destacou a importância da comunicação adequada. “Temos que ir além da discussão sobre desmatamento ilegal. Nós não estamos comunicando da maneira correta, e isso tem consequências.”
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