
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelaram uma relação próxima entre o empresário e o apresentador Luciano Huck, envolvendo amizade, encontros, favores pessoais e negócios. Diante da repercussão, a equipe de Huck divulgou uma nota para explicar a natureza dessa relação.
Segundo a manifestação do apresentador, a relação profissional com Vorcaro estava ligada à captação e à gestão do patrocínio do Will Bank ao programa “Domingão com Huck”. A assessoria afirma que os negócios foram formalizados por contratos, com emissão de notas fiscais, recolhimento de impostos e prestação dos serviços previstos.
A equipe também sustenta que os contratos de imagem e publicidade relacionados ao Will Bank foram encerrados antes da intervenção do Banco Central na instituição. Huck, portanto, apresenta a relação comercial como uma operação formal e anterior à crise que posteriormente atingiu o grupo de Vorcaro.
Um dos pontos mais sensíveis das mensagens envolve uma possível sociedade em uma aeronave. A reportagem da Veja apresentou diálogos que mencionam esse assunto, mas Huck nega que tenha sido sócio de Vorcaro em avião. A assessoria classificou essa informação como equivocada.
As mensagens, entretanto, mostram que a relação entre os dois ultrapassava uma simples troca formal entre contratante e contratado. Os registros incluem convites para jantares, eventos, viagens, utilização de aeronaves e conversas de caráter pessoal.
Em outro trecho divulgado pela Veja, Huck aparece oferecendo apoio a Vorcaro durante o período de dificuldades enfrentado pelo Banco Master. O apresentador também teria aconselhado o empresário sobre como conduzir sua exposição pública, defendendo que ele assumisse o controle da própria narrativa.
A divulgação das mensagens, por si só, não estabelece que Huck tenha cometido qualquer ilegalidade. As reportagens consultadas registram a proximidade pessoal e comercial e as explicações apresentadas pelo apresentador, mas não apontam, nas conversas divulgadas, participação dele em ilícitos.
O episódio, contudo, coloca sob os holofotes uma pergunta inevitável no jornalismo: até onde termina uma relação comercial e começa uma relação pessoal quando negócios de milhões, amizade, favores e acesso privilegiado aparecem na mesma conversa? A resposta depende da documentação completa e das apurações em andamento — não apenas das mensagens isoladamente.
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