
O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, se entregou à Polícia Federal em Brasília na noite de quarta-feira (12). Ele estava foragido desde novembro de 2025, quando foi alvo de um mandado de prisão preventiva no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do INSS.
Após se apresentar voluntariamente na Superintendência Regional da PF no Distrito Federal, Lopes foi preso e deverá ser encaminhado ao sistema prisional depois dos procedimentos de praxe. A prisão preventiva havia sido determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo as investigações da Polícia Federal, a Conafer teria ocupado posição central em um esquema de filiações falsas e descontos associativos não autorizados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.
A apuração aponta que beneficiários do INSS tiveram valores descontados mensalmente sem autorização válida. A PF sustenta que os recursos eram direcionados para empresas de fachada e utilizados para enriquecimento ilícito e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos.
O primeiro relatório da Operação Sem Desconto concluído pela Polícia Federal resultou no indiciamento de 48 pessoas. Entre elas estão Lopes, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
A Polícia Federal aponta Carlos Lopes como uma das figuras centrais da estrutura investigada. Segundo a apuração, ele teria controle sobre transferências financeiras, distribuição de recursos, orientação das fraudes e articulação política do grupo.
A PF também aponta que beneficiários eram abordados para assinar documentos que posteriormente poderiam ser utilizados como falsas autorizações de filiação associativa.
No relatório enviado ao STF, a corporação defendeu o indiciamento de Lopes por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
As investigações da Operação Sem Desconto apuram um esquema de grandes proporções envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Estimativas divulgadas no âmbito da investigação apontam que o conjunto das cobranças irregulares pode chegar a R$ 6,3 bilhões.
No caso específico do núcleo investigado envolvendo a Conafer, a Polícia Federal apontou desvios superiores a R$ 708 milhões, segundo relatório citado pela Agência O Globo.
A apresentação voluntária de Carlos Lopes encerra um período de meses em que ele permaneceu foragido. Agora, preso e formalmente indiciado, o presidente da Conafer passa a estar à disposição da Justiça para o prosseguimento das investigações.
A defesa afirma que a entrega não representa confissão ou reconhecimento de responsabilidade e que Lopes pretende apresentar documentos e elementos para contestar as acusações.
O caso continua sob investigação e poderá avançar sobre outros envolvidos no esquema de descontos indevidos que atingiu aposentados e pensionistas do INSS.
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