
A intolerância religiosa continua sendo um dos desafios mais preocupantes para a garantia dos direitos fundamentais no Brasil. No Piauí, o tema ganhou espaço no debate eleitoral após a professora e mãe de santo Ruthnéia, candidata a deputada estadual pelo PSD, afirmar que tem encontrado uma realidade preocupante durante visitas a comunidades de religiões de matriz africana em diversas regiões do Estado.
Segundo a candidata, que informa já ter percorrido mais de 50 municípios piauienses, muitos jovens ligados à Umbanda e ao Candomblé estariam abandonando os estudos em razão do preconceito e da discriminação sofridos no ambiente escolar. A afirmação decorre de relatos que ela diz ter recebido durante encontros com pais e mães de santo e representantes de terreiros.
De acordo com Ruthnéia, estudantes que utilizam símbolos religiosos, como guias, turbantes e outras indumentárias características das religiões de matriz africana, tornam-se frequentemente alvo de piadas, constrangimentos e episódios de bullying, situação que, segundo ela, contribui para o afastamento da escola.
"Tenho andado por um Piauí que muitos não conhecem. Em várias comunidades encontramos jovens desistindo de estudar porque não suportam mais o preconceito contra sua religião. Educação também é respeito à diversidade e à liberdade de crença", declarou a candidata durante sua agenda pelo interior do Estado.
A professora defende o fortalecimento de políticas públicas voltadas para a promoção da liberdade religiosa, da educação inclusiva e do reconhecimento do trabalho social desenvolvido pelos terreiros, que, segundo ela, acolhem famílias em situação de vulnerabilidade sem receber apoio institucional.
Embora não existam, até o momento, estatísticas oficiais específicas sobre abandono escolar motivado exclusivamente por intolerância religiosa no Piauí, os dados nacionais mostram que o preconceito religioso continua crescendo.
Levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania aponta que o Brasil registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, número 12,2% superior ao período anterior.
As religiões de matriz africana permanecem entre as mais atingidas pelas denúncias. No período analisado, foram registrados 228 casos envolvendo praticantes da Umbanda e 161 relacionados ao Candomblé, evidenciando que esses grupos continuam sendo os principais alvos de discriminação religiosa no país.
Especialistas em educação afirmam que o ambiente escolar deve ser um espaço de respeito à diversidade cultural e religiosa, conforme garantem a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. A liberdade de crença é um direito fundamental e a prática de discriminação religiosa pode gerar responsabilização administrativa, civil e criminal.
No debate eleitoral, Ruthnéia afirma que pretende defender políticas públicas voltadas para o combate ao preconceito religioso e para a valorização da diversidade nas escolas. O tema, segundo ela, precisa deixar de ser tratado apenas como uma questão religiosa e passar a ser encarado como um compromisso com os direitos humanos e com a permanência dos estudantes na educação.



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