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Rafael Fonteles: O grande perdedor nas eleições de 6 de outubro

Mesmo com envolvimento pessoal nas campanhas, o governador não conseguiu garantir vitórias expressivas para o PT nas grandes cidades do Piauí, e o partido saiu enfraquecido nas eleições municipais

09/10/2024 às 08h04 Atualizada em 09/10/2024 às 09h55
Por: Redação
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Foto: Reprodução
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O jovem governador Rafael Fonteles, que prometia revolucionar a política no Piauí, saiu dessas eleições como o grande derrotado. Apesar de seu envolvimento direto nas campanhas, tanto na capital quanto no interior, o resultado foi aquém do esperado. Em vez da projetada hegemonia, o Partido dos Trabalhadores (PT) enfrentou uma dura realidade: fora duas cidades de porte médio, o PT só conseguiu eleger prefeitos em pequenos municípios, evidenciando uma desconexão com as grandes cidades e a capital.

Enquanto Fonteles se esforçava para fortalecer sua base de apoio, o Partido Social Democrático (PSD) saiu como o grande vencedor, conquistando 65 prefeituras. Em segundo lugar, o MDB assegurou um expressivo número de 57 cidades, seguido pelo PT com 50 prefeituras, Progressistas com 34, e partidos menores como PDT, Solidariedade e Republicanos com números muito mais modestos.

O PT, embora tenha mais que dobrado o número de prefeituras comparado às eleições passadas, falhou onde mais importava. Em cidades estratégicas como Campo Maior, Parnaíba e Floriano, o partido amargou derrotas. Mesmo em Piripiri, onde a prefeita Jôve Oliveira, do PT, foi reeleita, seu mérito foi mais pessoal do que uma vitória creditada ao governador. Jôve tem uma história de luta no município que a levou à Prefeitura de Piripiri em 2020. Aliás, seu arquirrival, deputado Marden Meneses, é hoje aliado de Fonteles.

As eleições em Teresina, a joia da coroa, foram o maior revés para Fonteles. Ele mergulhou de cabeça na campanha de Fábio Novo, apostando em sua influência e no peso do PT, mas o resultado foi desastroso. Novo foi derrotado fragorosamente por Sílvio Mendes, evidenciando que o apoio de Fonteles não foi suficiente para mobilizar o eleitorado da capital, que, mesmo com um histórico distante do PT, nunca deu o gostinho da vitória a nenhuma liderança petista. Nem mesmo a maior expressão do partido no Piauí, o senador José Wellington Barroso de Araújo Dias, ameaçou subir os degraus do Palácio da Cidade. O governador reconheceu seu fracasso com a derrota de Novo nas redes sociais.

Em Parnaíba, o esforço de Fonteles para eleger Dr. Hélio, do MDB, também foi em vão. Mão Santa, ícone local, reforçou a ideia de que a cidade pertence aos parnaibanos, não a candidatos de fora, por mais que estejam aliados ao governador. Essa derrota mostrou que Fonteles, apesar de sua imagem de bom gestor e político, não conseguiu se conectar com o eleitorado das grandes cidades piauienses.

Analistas apontam que a fraca performance do PT no Piauí é reflexo de uma estratégia equivocada e do desgaste da gestão petista, que já se arrasta por mais de duas décadas sem ter muito o que mostrar. O governador, embora popular em 2022, não conseguiu manter o mesmo prestígio nas eleições de 2024, apenas dois anos após entrar no Palácio de Karnak por sobre o espelho d'água dos jardins de Burle Marx. A questão que fica é: por que Fonteles não conseguiu capitalizar seu sucesso de gestão e traduzi-lo em votos para seus aliados? Faltou uma estratégia política mais robusta? Gestão insuficiente? Ou, simplesmente, a imagem do PT já não convence como antes?

Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, foi um dos poucos que saiu otimista das eleições. Embora seu partido tenha caído pela metade em número de prefeituras, Ciro argumenta que, somando os aliados, "conquistaram ao todo 140 prefeituras, configurando uma vitória expressiva".

De qualquer forma, o que fica claro é que Fonteles já começou a perder o prestígio que o elegeu em 2022. E, em uma política tão dinâmica como a brasileira, essa derrota pode custar caro no futuro. As eleições de 2026 estão logo ali, e se o governador não revisar sua estratégia, pode encontrar dificuldades maiores. Como bem disse o ex-governador cearense Ciro Gomes, "estas eleições seriam um teste para o PT e para o presidente Lula". E no Piauí, esse teste mostrou que as bases petistas estão longe de serem inabaláveis.

A política, como disse o saudoso Magalhães Pinto, é como uma nuvem: "muda a todo momento". E para Rafael Fonteles, essa mudança pode significar o fim precoce de uma carreira promissora, caso ele não consiga reverter o cenário e reconquistar a confiança do eleitorado.

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