
A indicação de Iasmin Dias para a primeira suplência da chapa de Júlio César ao Senado parece ser apenas uma questão de tempo. No jogo político, as peças já estão praticamente posicionadas no tabuleiro. O vereador Dudu e a ex-vereadora Rosário Bezerra, que sonharam com a vaga, vão percebendo que a bola da vez atende pelo nome de Iasmin Dias.
E aí surge uma pergunta inevitável: coincidência política ou projeto familiar?
O curioso é que Wellington Dias construiu sua trajetória justamente combatendo aquilo que chamava de velhas oligarquias piauienses. Durante décadas, o discurso petista foi o de enfrentar famílias tradicionais que transformavam a política em patrimônio hereditário. Mas o tempo passou, o poder chegou e a realidade parece ter ganhado novos contornos.
Primeiro veio a ascensão política da esposa, Rejane Dias. Depois, a indicação para um cargo vitalício no Tribunal de Contas do Estado. Em seguida, surgiram as articulações envolvendo o filho, apontado em determinado momento como possível nome para compor chapas majoritárias e que agora deverá disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Piauí. Agora, a filha aparece como favorita para ocupar um espaço privilegiado numa disputa ao Senado.
Nada disso é ilegal. Nada disso é proibido. Mas tudo isso é político. E política é também percepção.
O próprio Wellington Dias praticamente confirmou que a definição está próxima. Mais do que isso: revelou que o nome de Iasmin foi defendido pelo deputado Júlio César junto a ele e ao governador Rafael Fonteles.
"Eu diria que está muito próximo de uma definição", afirmou o ministro.
A declaração reforça a impressão de que os entendimentos já caminham para uma solução previamente desenhada. Afinal, na política, raramente uma vaga tão cobiçada fica esperando por muito tempo.
Iasmin está concluindo o curso de Psicologia e, caso a indicação seja confirmada, ingressará oficialmente na linha sucessória de uma cadeira do Senado Federal. Nada mal para quem ainda está dando os primeiros passos na vida pública.
O filho e a filha de Wellington Dias têm algo em comum: ambos são neófitos na política. Ainda assim, aparecem posicionados em espaços estratégicos de um grupo que governa o estado e exerce forte influência nacional. Para os aliados, trata-se de renovação. Para os críticos, é a velha política familiar ganhando nova roupagem.
É justamente aí que mora a discussão política. Não sobre a capacidade pessoal de Iasmin, que ainda terá tempo para demonstrar seus méritos. Mas sobre o método.
Afinal, quando uma mesma família ocupa sucessivamente espaços estratégicos na política, no Executivo, em órgãos de controle, na disputa por cadeiras legislativas e agora na linha de sucessão do Senado, é natural que surjam questionamentos.
Os defensores argumentam que se trata apenas de reconhecimento político e construção democrática. Os críticos enxergam outra coisa: a consolidação de um grupo familiar cada vez mais presente nas estruturas de poder.
Talvez o maior paradoxo seja justamente esse. O homem que chegou ao Karnak prometendo combater as oligarquias agora convive com acusações de estar construindo uma para chamar de sua.
O hoje velho 'Índio', que um dia se apresentou como alternativa às elites tradicionais, parece ter descoberto que toda oligarquia começa exatamente assim: ocupando espaços, ampliando influência e preparando a próxima geração.
E, pelo visto, a próxima peça desse tabuleiro atende pelo nome de Iasmin Dias. Afinal, na política, o poder muda de mãos. Mas, às vezes, permanece em família.
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