
O preço internacional do açúcar deve subir dos atuais US$ 0,22 por libra-peso para, pelo menos, US$ 0,24 a US$ 0,26, e se manter nesse patamar por um período prolongado. Essa é uma condição fundamental para que o Brasil, maior exportador mundial do produto, consiga aumentar sua produção e atender a uma demanda global que cresce entre 1,8 milhão e 2 milhões de toneladas por ano. O alerta foi feito pelo presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, durante o 18º Encontro Anual de Açúcar e Álcool, realizado em Ribeirão Preto (SP) no dia 3 de janeiro.
De acordo com Nastari, nos últimos três anos, o mundo enfrentou um déficit de açúcar, e somente o Brasil tem a capacidade de elevar sua produção para suprir o aumento na demanda. Outros grandes exportadores, como Índia, Tailândia e União Europeia, não possuem as mesmas condições de expansão. “A Índia está focada no seu programa de etanol. A Tailândia planejava aumentar sua produção, mas enfrenta limitações e nunca passou de 12,5 milhões de toneladas. Já a União Europeia não deseja aumentar a produção para manter os preços altos”, explicou.
Atualmente, o Brasil possui uma capacidade de produção de açúcar entre 46 milhões e 47 milhões de toneladas no Centro-Sul, além de cerca de 3,7 milhões a 3,8 milhões de toneladas nas regiões Norte e Nordeste. Nastari destacou que, apesar dos desafios climáticos enfrentados este ano, como a falta de chuvas nas áreas produtoras do Centro-Sul, a cana-de-açúcar é uma cultura resiliente e pode se recuperar rapidamente.
Uma nova preocupação para os produtores é a síndrome da murcha, uma doença causada por um fungo que reduz a pureza do caldo da cana e pode levar à diminuição da produtividade. “Com esses problemas, surge a possibilidade de o governo indiano abrir uma cota de exportação de 2 milhões de toneladas, mas isso dependerá de um aumento nos preços em Nova York”, alertou Nastari.
André Cury, responsável pelo Commercial Bank do Citi no Brasil e América Latina, mencionou que o banco aumentou sua carteira de crédito no agro brasileiro de 20% para 25% em um ano, mas sua participação no setor sucroenergético caiu pela metade. Ele atribuiu essa redução à desalavancagem do setor, que agora está mais capitalizado, e ao crescimento do mercado de capitais como fonte de financiamento.
Por fim, o presidente do Citi Brasil, Marcelo Marangon, enfatizou que a transição energética representa uma oportunidade significativa para o Brasil, que possui biomassa suficiente para liderar nesse mercado. Ele ressaltou a importância de novos projetos sustentáveis e competitivos, conforme o compromisso do Citi de alocar US$ 1 trilhão em projetos de finanças sustentáveis até 2030, já tendo alcançado US$ 440 bilhões.
ANTIMICROBIANOS União Europeia veta carne brasileira? Entenda o que realmente mudou e quais podem ser os impactos
AGRO China promete comprar US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos EUA
AGRO União Europeia proíbe importação de carne brasileira Mín. 23° Máx. 32°