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Justiça HENRY BOREL

Jairinho é condenado a 43 anos, enquanto Monique recebe perdão judicial no caso Henry Borel

Após dez dias de julgamento, o Tribunal do Júri responsabilizou Dr. Jairinho pela morte de Henry Borel e pelas torturas sofridas pelo menino. Já a mãe da criança teve a acusação de homicídio desclassificada e recebeu perdão judicial

04/06/2026 às 10h09
Por: Douglas Ferreira
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O condenado Jairinho e a mãe Monique durante o julgamento - Foto: Reprodução
O condenado Jairinho e a mãe Monique durante o julgamento - Foto: Reprodução

O caso Henry Borel chega ao fim no Tribunal do Júri, mas não encerra o debate sobre justiça e responsabilidade

Depois de mais de quatro anos de investigações, perícias, depoimentos e intensa comoção nacional, o caso Henry Borel finalmente recebeu uma resposta do Tribunal do Júri. E como quase tudo que envolveu essa tragédia desde o início, o desfecho também divide opiniões.

O julgamento, que durou dez dias e se tornou o mais longo do Rio de Janeiro em quase duas décadas, terminou com a condenação do ex-vereador Dr. Jairinho a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo.

Já a situação da mãe de Henry, Monique Medeiros, seguiu um caminho completamente diferente.

O júri entendeu que não houve homicídio doloso, quando existe intenção de matar, e desclassificou a acusação para homicídio culposo. Além disso, a professora recebeu perdão judicial em relação a esse crime e foi condenada apenas pela omissão diante das torturas sofridas pelo filho. Como já havia cumprido prisão preventiva, sua pena foi considerada extinta.

A decisão produz inevitavelmente sentimentos contraditórios.

Por um lado, a condenação de Jairinho representa uma resposta dura da Justiça diante de um caso que chocou o país. Os laudos periciais apontaram múltiplas lesões graves no corpo da criança, incompatíveis com a versão inicial de um simples acidente doméstico. O entendimento dos jurados foi de que houve violência deliberada e extrema contra uma vítima absolutamente indefesa.

Por outro lado, a situação de Monique reacende uma discussão delicada: qual é o limite entre ser vítima de manipulação e ser responsável por não impedir a violência?

Foi justamente nessa linha que a juíza Elizabeth Machado Louro fundamentou parte de sua decisão. Ao conceder o perdão judicial, destacou que Monique já havia sofrido severas consequências sociais, emocionais e pessoais desde a morte do filho. Citou a intensa exposição pública, ataques nas redes sociais e agressões sofridas durante o período em que esteve presa.

O pequeno Henry Borel assassinado pelo ex-vereador Jairinho - Foto: Reprodução

A magistrada também chamou atenção para uma expectativa social frequentemente direcionada às mulheres: a ideia de que toda mãe deve ser capaz de perceber, impedir e corrigir qualquer ameaça aos filhos. Segundo esse entendimento, a reação social contra Monique teria ultrapassado os limites da responsabilização jurídica.

Mas é justamente aí que surgem as maiores divergências.

Para muitas pessoas, a absolvição prática da mãe de Henry deixa uma sensação de incompletude. Afinal, o próprio júri reconheceu que houve omissão diante das agressões sofridas pela criança. A questão passa então a ser moral tanto quanto jurídica: até que ponto alguém pode alegar desconhecimento quando os sinais de violência estavam presentes?

Não há resposta simples.

O Direito trabalha com provas, responsabilidades individuais e critérios técnicos. A indignação popular, por sua vez, costuma operar por outro caminho, movida pela dor, pela empatia e pelo desejo de proteção das vítimas.

No centro de tudo permanece Henry.

Uma criança de apenas quatro anos cuja morte mobilizou o país, impulsionou mudanças legislativas e transformou seu nome em símbolo da luta contra a violência infantil. A repercussão do caso foi tão profunda que inspirou a criação da Lei Henry Borel, que fortaleceu mecanismos de prevenção e combate à violência doméstica contra crianças e adolescentes.

O julgamento termina, mas as perguntas que ele levantou permanecem.

Como identificar sinais de abuso antes que seja tarde?

Como proteger crianças vulneráveis dentro do próprio ambiente familiar?

E como equilibrar punição, responsabilidade e justiça em casos tão complexos?

A sentença encerra um processo judicial. O desafio de evitar que tragédias semelhantes se repitam continua aberto para toda a sociedade.

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