Eis a capa da conceituada e influente Revista Oeste. Carta ao leitor — edição 323: “A verdade sobre o caso do cão Orelha e a condenação de uma família por optar pelo homeschooling na educação das filhas” estão entre os destaques desta edição.
A cada dia surgem novos detalhes sórdidos e mais figurões envolvidos naquele que já é considerado o maior escândalo financeiro da história do Brasil. Muito além de uma gestão temerária e de suspeitas de fraude, o caso Master revelou uma extensa rede de relações promíscuas — e casos de corrupção escancarada — do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Mais do que necessária e urgente, a instalação de uma CPI do Master é a única esperança e uma exigência do Brasil que presta. Nesta edição, reportagens de Augusto Nunes, Adalberto Piotto, Carlos Cauti, Cristyan Costa e Sarah Peres mostram como funcionavam os diferentes núcleos deste escândalo, cujos tentáculos alcançam os três Poderes da República.
No artigo de Augusto Nunes, “A toga e a lama” — ministros do STF viram verbetes na enciclopédia da corrupção —, o jornalista afirma: “Parece mentira, mas houve, não faz tanto tempo, um Brasil em que a honradez era a regra, e quem se arriscava a engordar o volume de exceções não se expunha apenas às punições previstas em códigos legais: também sofria o afastamento imposto pelos honestos.
Guardo na memória o caso do gerente de banco perdido de amor pela bela forasteira recém-chegada à casa da Diná, bordel mais concorrido da região. O cinquentão apaixonado exagerou na gastança com a jovem amante, sem reduzir as despesas com a família numerosa. Acuado pelo endividamento excessivo, sucumbiu à má ideia: dar um desfalque.
Nem um cliente perdeu dinheiro. O prejuízo foi engolido sem barulho pela direção do banco, que revidou com a demissão por justíssima causa. Esse seria o menor dos castigos. Muito mais dolorosa foi a exclusão social. Além do emprego, ele perdeu os amigos. Todos, emparedados pelo isolamento e pela vergonha, o gerente, sua mulher e os quatro filhos primeiro sumiram dos bailes no clube, depois das sessões de cinema, em seguida das festas de aniversário e, finalmente, das ruas. Numa madrugada, a família deixou a cidade para nunca mais voltar. Naquele tempo, corrupção era crime hediondo e sem perdão. Hoje, quem diria? Um Brasil virado do avesso contempla, com passividade bovina, a chegada da ladroagem endêmica ao Supremo Tribunal Federal.”
E diz mais o honesto jornalista Augusto Nunes: até o último verão, o comando do Judiciário era o único entre os três Poderes que ficara fora dos sucessivos escândalos descobertos no primeiro quarto deste século. No último verão, o maior crime financeiro da história derrubou a fortaleza moral. Foi reduzida a escombros no fim de 2025, quando os ministros José Antonio Dias Toffoli e Alexandre de Moraes viraram verbetes de uma inevitável Enciclopédia Nacional da Infâmia.
Ambos, anabolizados por premiações em dinheiro distribuídas pelo dono do falecido Banco Master, Toffoli e Moraes garantiram vaga no porão da história, nadando de braçada no pântano administrado por Daniel Vorcaro. Acabaram afundando até o pescoço. E estes são apenas trechos do artigo de Nunes. A hora da CPI do Master? Uma CPI essencial, diz Branca Nunes em artigo na influente e conceituada Revista Oeste.
E diz mais: “O crescimento do império financeiro de Vorcaro amparou-se no fortalecimento de suas relações promíscuas com integrantes dos três Poderes. O lado mais sombrio deste segundo quarto de século no Brasil começou a se desenhar em 17 de novembro de 2025, quando vieram à tona os primeiros capítulos do que já se transformou no maior escândalo financeiro da história do país.”
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