O que, de fato, significa essa expressão milenar? “Bode expiatório” é uma expressão usada para definir uma pessoa ou grupo inocente que leva a culpa, a punição ou a responsabilidade por erros, falhas ou pecados que não cometeu, servindo para aliviar os verdadeiros culpados. É alguém que paga pelos erros alheios.
A expressão tem origem no Antigo Testamento, especificamente no livro de Levítico, capítulo 16. No “Dia da Expiação” (Yom Kippur), dois bodes eram separados. Um era sacrificado, e o outro, o “bode expiatório”, recebia simbolicamente os pecados do povo por meio da imposição das mãos do sacerdote. Esse bode era então enviado ao deserto, levando embora a culpa e as impurezas da comunidade.
Hoje, a expressão é aplicada metaforicamente quando alguém é injustamente culpado para proteger outros ou para conter uma crise. Qual a razão do introito? Eis o que diz a capa da Revista Crusoé: “Preço de um senador” — PF (Polícia Federal) descobre relação financeira entre Vorcaro e Ciro Nogueira e pode esvaziar delação do banqueiro.
Está observando o motivo do introito? Não leia apenas a matéria de capa. O que está em jogo pode ser justamente a questão da delação. Ninguém sabe ao certo, ainda, o que de fato poderá acontecer. O senador não teve a prisão decretada, e isso pode ser interpretado como algo sem força ou sem argumentos jurídicos sólidos. No Brasil dos dias atuais, nunca se saberá se os fatos e acontecimentos condizem plenamente com a realidade. Eis o motivo de as pessoas não saírem lendo manchetes e estampando-as como a mais pura verdade.
A qual estado o senador pertence? Ao Piauí. Teriam a mesma altivez para agir com outros senadores pertencentes a estados do Sul e Sudeste? Eis o que diz a matéria de Crusoé disponibilizada no site O Antagonista: “Crusoé: O preço de um senador — PF descobre relação financeira entre Vorcaro e Ciro Nogueira e pode esvaziar delação do banqueiro”. E mais: “Lula enrola com o Desenrola” e “Guru, pré-candidato e líder capissocial”.
A operação da Polícia Federal (PF) da quinta-feira, 7, mostrou quanto custa um senador da República. E o valor não é dos mais modestos. Mensagens interceptadas pela PF, que resultaram na quinta fase da Operação Compliance Zero, revelaram que Daniel Vorcaro pagava entre 300 mil e 500 mil reais mensais ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e um dos principais expoentes do Centrão, para que o banqueiro tivesse algum tipo de interlocução no Congresso.
Na fase anterior, a PF já havia mostrado quanto custa o dono de um banco público. Para comprar o presidente do BRB, Paul Henrique Costa, teriam sido utilizados seis apartamentos de luxo, avaliados em 140 milhões de reais. Bode expiatório da vez? Por que não seria? Não se entretenha apenas e tão somente com a chamada de capa da revista. Quem não lembra que o senador Ciro Nogueira é sempre uma questão pendular? Para qualquer lado que vá o influente político — detentor de excelente capital de votos e de amizades —, o lado tende a sair vencedor.
Nos bastidores de Brasília, o comentário é apenas um: o que, de fato, estão querendo do senador e também do seu poder de influência perante o Congresso Nacional? Pare. Pense. Reflita!