
Nem deputado escapa: tiros contra Max Lemos escancaram domínio do crime no Rio
O Rio de Janeiro virou um lugar onde andar na rua é como jogar roleta russa sem saber quando a bala vai sair. Não é exagero. É realidade. E não estamos falando de golpe, de trambique ou de esperteza. Estamos falando de vida, de sobrevivência. O crime organizado tomou conta como mato que cresce sem controle. Quando se vê, já cobriu tudo.
Na região metropolitana, a sensação é clara. O Estado oficial existe no papel, mas quem manda mesmo, em muitos territórios, é o crime. O chamado poder paralelo não bate na porta, ele já entrou, sentou no sofá e trocou a fechadura. O Comando Vermelho age como essa mão invisível que controla, oprime e impõe regras. Quem vive ali sabe. Quem passa por ali sente.
E quando a violência atinge um deputado federal, o recado muda de tom. Não é mais só estatística. É símbolo. Max Lemos foi alvo de um ataque a tiros na madrugada, na BR-116, em Duque de Caxias. Um carro emparelha, homens armados, tentativa de parada forçada. Cena que parece roteiro repetido, mas que nunca perde o potencial de tragédia.
A diferença é que, dessa vez, o alvo não era um cidadão comum anônimo. Era um parlamentar. E mesmo assim, isso não fez a menor diferença para quem estava do outro lado do gatilho. O carro era blindado. Ainda bem. Porque, sem isso, talvez o desfecho fosse outro. E bem mais grave.
O motorista reagiu como pôde. Desviou, colidiu, acelerou. Foi um jogo de segundos. Bala de um lado, direção firme do outro. Dois disparos atingiram o veículo. Poderia ter sido o fim. Não foi. Mas poderia.
E aí vem a pergunta que não quer calar. Foi tentativa de assalto ou tem algo além disso? Porque, no Rio de hoje, separar crime comum de ação organizada é como tentar separar água de óleo dentro de uma panela já fervendo. Tudo se mistura.
A polícia investiga. Como sempre. Mas a dúvida permanece no ar, pesada como nuvem carregada. Quando criminosos usam arma longa, agem de forma coordenada e escolhem o momento, não parece improviso. Parece método.
O próprio deputado falou em livramento. E foi mesmo. Mas quando um representante eleito precisa contar com “livramento” para escapar da morte, é sinal de que algo está profundamente fora do lugar.
O caso não é isolado. É mais um capítulo de uma história que já se arrasta há anos. Uma história em que o cidadão comum virou alvo fácil e agora nem quem tem mandato parece estar protegido.
No fim das contas, fica uma constatação incômoda. No Rio de Janeiro, a linha entre viver e sobreviver está cada vez mais fina. E quando até um deputado entra na mira, a mensagem é clara como tiro em noite silenciosa. Ninguém está imune.
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