Não. A expressão não é correta. O que está em xeque, a ponto de levar xeque-mate, são alguns ministros do STF. A melhor expressão é a linguagem de todo bom enxadrista. O que é mesmo isso? É o termo técnico mais comum em português para qualquer pessoa que pratica xadrez, seja iniciante, amador ou profissional.
Eita, e se a situação está difícil, não pode ficar ainda pior? É o que traz a capa da influente e conceituada revista Oeste. Vejamos a manchete de capa: “Ruim ou péssimo?” Caso tenha aprovada pelo Senado sua indicação para o STF, Jorge Messias vai mostrar que os políticos brasileiros perderam o senso de sobrevivência e confirmar a “maldição”: no Brasil, o que está ruim sempre pode piorar.
O STF está em xeque? Próximo de levar um xeque-mate? O que significa mesmo essa expressão? Xeque-mate é o lance final no xadrez que encerra a partida, ocorrendo quando o rei está sob ataque (em xeque) e não há lances legais para escapar, bloquear ou capturar a peça atacante. Originário do persa shâh-mât (“o rei está morto” ou “indefeso”), simboliza a derrota total de um jogador.
No artigo de capa, o honesto e corajoso, Jornalista Augusto Nunes diz, no introito, que a aprovação do “velho Bessias” vai piorar o que já está insuportável. E diz mais: a cara de cão sem dono é enganosa. Desde o momento da filiação ao Partido dos Trabalhadores, Jorge Rodrigo Araújo Messias — que, neste 29 de abril, deverá ser autorizado pelo Senado a assumir a vaga no Supremo Tribunal Federal — pertence, por vontade própria, a seus chefes no partido. Ele sabe disso e é feliz.
No governo de Dilma Rousseff, passou a ter por perto alguém a obedecer e aprendeu a cumprir missões complicadas sem perguntas ou hesitações. Graças ao desempenho no segundo escalão da Casa Civil, foi incorporado ao grupo de assessores jurídicos a serviço da presidente.
Em mais um texto de capa, Augusto Nunes avança e diz, no segundo parágrafo: impressionada com o espetáculo de obediência, Dilma passou a entregar-lhe todas as tarefas perigosas. Ironicamente, a única que não pôde concluir permitiu-lhe viver seus dez dias de fama, mas com o sobrenome deformado pela troca do “M” por “B”.
Em março de 2016, o jovem pernambucano do Recife apareceu no noticiário jornalístico em uma conversa telefônica entre Dilma e Lula, gravada com autorização judicial. Naquele dia, a dupla combinara que a afilhada instalaria o padrinho na chefia da Casa Civil. O cargo presentearia Lula, prestes a ser preso pela Operação Lava Jato, com o direito de ser julgado pelo Supremo.
O STF está em xeque e prestes a levar um xeque-mate? Não. Ministros do STF estão nessa situação peculiar. Em mais um artigo, o ético Jornalista Adalberto Piotto diz que a metade do Brasil que aceitou a “ditadura do STF”, porque esta só perseguia a direita, acordou — e precisa permanecer acordada.
Piotto afirma, no primeiro parágrafo, que o Brasil é um país tão privilegiado que tem dentro de si mesmo as soluções para seus problemas — um caso raro no mundo. Vejam as questões econômicas que assolam o mundo: um olhar cuidadoso mostra que, se tivermos competência, resolveremos quase tudo por aqui. A falta de competência é um sintoma do momento, mas não nos faltam exemplos do passado nem recursos, tão escassos em outras nações. No entanto, o país é tão maltratado por seus próprios cidadãos que cria problemas que só existem aqui.
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