
Um novo levantamento da Confederação Nacional da Indústria revela um retrato preocupante da capacidade digital no Brasil. Apenas 44,5% da população possui domínio considerado médio-alto ou avançado em tarefas mais complexas, como uso de inteligência artificial, planilhas e configuração de sistemas. Quando incluídas atividades básicas, esse índice sobe para pouco mais de 54%, ainda distante do necessário para uma economia cada vez mais digital.
O estudo, intitulado “Retratos da Sociedade Brasileira”, mostra que a desigualdade geracional é um dos principais entraves. Jovens entre 16 e 24 anos lideram com 65,7% de domínio, seguidos pela faixa de 25 a 34 anos, com 63,2%. A partir daí, os números caem de forma consistente 53,4% entre 35 e 44 anos, 36% entre 45 e 59, até chegar a apenas 9,9% entre pessoas com 60 anos ou mais. O dado evidencia uma lacuna crescente em um país que envelhece sem acompanhar o ritmo da transformação digital.
Especialistas da própria Confederação Nacional da Indústria alertam que o cenário exige reação rápida. O avanço de áreas como indústria 4.0, automação e inteligência artificial está redefinindo o mercado de trabalho, tornando obsoletas funções tradicionais e exigindo novas competências. Sem qualificação adequada, parte significativa da população corre o risco de ficar à margem dessa transformação.
O impacto já começa a aparecer nas projeções de emprego. O Observatório Nacional da Indústria identificou ao menos seis novas ocupações ligadas à inteligência artificial, com potencial para gerar cerca de 5 mil vagas. Ainda assim, o desafio central permanece preparar a força de trabalho em larga escala. Em um país onde a digitalização avança mais rápido que a qualificação, o risco não é apenas perder competitividade é aprofundar desigualdades estruturais.
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