
Esses airbags, que podem expelir partes metálicas a uma velocidade superior a 300 km/h em caso de acionamento, representam um risco significativo à segurança dos ocupantes. O problema gerou um dos maiores recalls da história, afetando aproximadamente 100 milhões de veículos em todo o mundo, dos quais 5,9 milhões estão no Brasil.
Dentre os veículos afetados no país, cerca de 3,3 milhões já passaram pelo reparo, que consiste na troca do insuflador, uma cápsula metálica. O serviço de reparo é gratuito e fundamental, pois a explosão que aciona o airbag ocorre de forma descontrolada em casos de colisão. Esse problema é causado pela exposição dos dispositivos à umidade e ao calor ao longo do tempo, resultando em oxidação e ruptura das peças.
Rodrigo Kleinubing, perito em sinistros de trânsito, alerta que a reação química nos airbags defeituosos é rápida e violenta. Ele compara a explosão da cápsula com nitrato de amônio a uma bomba. A variação de temperaturas no Brasil pode ser um fator que agrava o mau funcionamento desses dispositivos.
Apesar dos defeitos apresentados pelos airbags da Takata, Kleinubing enfatiza que os airbags, em geral, são dispositivos de segurança passiva eficazes e não devem ser julgados exclusivamente pelos problemas da marca. Em uma colisão, eles podem minimizar lesões causadas pelo impacto do veículo e dos ocupantes contra as partes rígidas do automóvel.
Um levantamento realizado pela Folha revelou que 17 montadoras foram alvo de recalls devido a defeitos nos airbags da Takata. Marcas como Honda, Volkswagen, Nissan e Chevrolet estão entre as que possuem veículos equipados com esses dispositivos. O problema já causou sete mortes no Brasil, sendo uma delas a de um motorista de um Honda New Civic LXS 2008, que faleceu em 2020 devido à ruptura do airbag.
Atualmente, os proprietários podem verificar se seus veículos têm recalls pendentes acessando a página da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) e informando o número do chassi ou da placa do carro. Essa medida é crucial, uma vez que as montadoras são responsáveis pela comunicação dos recalls, mas a falta de fiscalização gera preocupações sobre a segurança dos consumidores.
Especialistas como Rodolfo Rizzotto, coordenador do programa SOS Estradas, ressaltam a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa das montadoras e criticam a condução desses processos. Para ele, é fundamental que a Senatran atue na comunicação dos recalls, desenvolvendo campanhas de divulgação para alertar os proprietários sobre os riscos envolvidos. Rizzotto também destaca que, embora o serviço de reparo seja gratuito, os custos indiretos, como deslocamento e tempo de trabalho perdido, podem tornar o processo oneroso para os proprietários.
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