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Cultura DARK HORSE

Bolsonaro vira filme e estreia às vésperas da eleição

Cinebiografia Dark Horse, estrelada por Jim Caviezel, chega aos cinemas em 11 de setembro e promete reacender o debate político ao retratar a ascensão de Jair Bolsonaro do baixo clero ao Planalto

09/04/2026 às 13h21
Por: Douglas Ferreira
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Ator norte-americano, Jim Caviezel, faz o papel de Bolsonaro no filme - Foto: Reprodução
Ator norte-americano, Jim Caviezel, faz o papel de Bolsonaro no filme - Foto: Reprodução

“Dark Horse”: o filme que transforma a trajetória de Bolsonaro em drama político

A política, quando encontra o cinema, costuma ganhar contornos de épico. Discursos viram roteiro, campanhas se transformam em atos dramáticos e personagens reais passam a ser observados como protagonistas de uma narrativa maior. É exatamente essa transformação que promete provocar o filme Dark Horse, cinebiografia dedicada à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já tem data marcada para chegar aos cinemas brasileiros.

O lançamento está previsto para 11 de setembro deste ano, poucas semanas antes do primeiro turno das eleições. A coincidência do calendário político com a estreia cinematográfica não passa despercebida. Em política, datas costumam funcionar como peças de xadrez cuidadosamente posicionadas no tabuleiro. No cinema, elas ajudam a transformar um filme em evento.

O enredo e o personagem

O longa procura reconstruir episódios decisivos da trajetória política de Bolsonaro. A narrativa percorre o período em que ele ainda era deputado federal até o momento que marcou definitivamente a campanha presidencial de 2018, o atentado a faca ocorrido em Juiz de Fora.

O roteiro apresenta esse percurso como uma escalada improvável. Um parlamentar de atuação frequentemente marginal ao grande palco político que, de repente, passa a ocupar o centro do debate nacional. O título Dark Horse nasce justamente dessa ideia. Na expressão inglesa, o “cavalo escuro” é o competidor que ninguém aposta como favorito, mas que acaba cruzando a linha de chegada à frente dos demais.

É uma metáfora que combina com a narrativa política construída em torno da ascensão de Bolsonaro. Durante décadas, ele foi tratado como figura periférica do Congresso. Em determinado momento, porém, sua candidatura ganhou força como uma onda que começa pequena e, quando se percebe, já se transformou em maré cheia.

O protagonista escolhido

Quem interpreta Bolsonaro é o ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido mundialmente por viver Jesus Cristo em A Paixão de Cristo. A escolha não é apenas artística. Também carrega simbolismo.

Caviezel é associado a papéis de forte carga moral e dramática. No imaginário cinematográfico, seu rosto costuma aparecer em histórias que tratam de fé, sacrifício e conflitos intensos. Transferir esse perfil para uma narrativa política significa tentar revestir a trajetória do personagem central com o peso dramático típico dos grandes filmes históricos.

Produção internacional

A direção do projeto está nas mãos do cineasta Cyrus Nowrasteh, responsável por produções que frequentemente transitam entre religião, história e política. O filme foi rodado majoritariamente em inglês, com gravações realizadas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, numa estratégia clara de alcançar o público internacional.

O elenco inclui nomes como Lynn Collins, Esai Morales e o brasileiro Felipe Folgosi. A produção também contou com acompanhamento de integrantes da família do ex-presidente, entre eles o vereador Carlos Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.

Até onde vai a história

Como toda cinebiografia, o filme seleciona momentos considerados decisivos. O roteiro não pretende narrar toda a vida do personagem, mas focar na fase que vai do parlamentar relativamente desconhecido ao candidato que se torna protagonista de uma eleição polarizada.

O atentado sofrido em 2018 aparece como ponto de virada dramático. No cinema, acontecimentos desse tipo funcionam como o momento em que a narrativa muda de ritmo, como quando um filme troca a calmaria da primeira metade pela tensão crescente do clímax.

A reação esperada

Produções biográficas sobre figuras políticas raramente passam despercebidas. Elas costumam provocar reações intensas e divididas, quase como um espelho que reflete a própria polarização da sociedade.

Para alguns espectadores, a obra tende a funcionar como registro histórico. Para outros, será vista como narrativa política ou instrumento de disputa simbólica.

No fundo, o cinema político funciona um pouco como um estádio em dia de clássico. Parte da plateia aplaude, outra parte vaia, e quase ninguém sai indiferente.

E talvez seja exatamente esse o objetivo de Dark Horse. Não apenas contar uma história, mas transformar a trajetória de um personagem político em espetáculo cinematográfico capaz de provocar debate muito além da tela.

Confira o traller do filme:

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