Faz tempo, e não é de apenas alguns dias. Certo mesmo é que muitas viagens foram cortadas. Muita gente está se limitando a ir às igrejas ou a se deslocar apenas quando há extrema necessidade. O custo do deslocamento também disparou. O combustível, o ônibus e os Uber — seja moto ou carro — já não cabem no orçamento dos brasileiros. Há muitas placas de venda de carros e motos. Quem ainda tem alguma forma de se deslocar está se virando nos trinta. Tem gente que já não percebe apenas a mensalidade da faculdade, mas também calcula se ela é perto ou longe de casa. E o único transporte gratuito (devido a reformas), o metrô, tem dias em que não funciona, e as viagens são limitadas. Certo mesmo é que, se as pessoas de menor condição somarem água, luz, internet e gás, o dinheiro do mês acaba. E as pessoas que recebem benefícios estão reclamando que já não dá para quase nada. O deslocar-se virou um grande problema?
Economia em frangalhos resulta de muitos fatores. E um deles são até mesmo as críticas ásperas vindas de pessoas do meio cristão. Esse povo gasta muito com festas e bebidas? Mas e quem não bebe, não fuma, não usa drogas e apenas trabalha e estuda? Há algo errado. A reclamação não está vindo da “bandalheira”, mas sim de famílias íntegras e honestas. Você sabia que o que antigamente se resumia aos católicos agora também se tornou “pauta evangélica”? Igrejas sérias agora possuem departamentos para atender problemas de vulnerabilidade social. Antigamente não era assim. Ninguém via igrejas evangélicas praticando caridade de forma tão ampla. Mas os problemas dos fiéis evoluíram de tal maneira que agora existem diaconias que, dia sim, dia não, socorrem pessoas em dificuldade. É assim que o povo anda sobrevivendo. Os padres que possuem “coração” — e são cada vez menos — estão intensificando as obras sociais a cada dia. Mas isso sempre existiu? Não nessa proporção atual. Com certeza, deve ser reflexo de uma economia desajustada.
O deslocar virou problema? Visitar ou sair por aí batendo papo? Só em caso de extrema necessidade. Calcule: trinta reais por dia, no mínimo, para ir e voltar — e não apenas uma vez. São, no mínimo, 900 (novecentos) reais por mês somente com deslocamento. E os pais que têm filhos na faculdade? Há lanche, deslocamento para estudos em grupo ou trabalhos — que são frequentes — e tudo isso custa dinheiro. É preciso muito dinheiro para tudo isso! Tem gente estudando para tentar novamente uma vaga em universidade pública. O ensino superior privado já não é mais para todo mundo. Meu nobre leitor, nada de bom acontece neste país? Qual é a função verdadeiramente jornalística? Retratar o que o povo está passando. Isso não são casos pessoais isolados; é o povo pedindo que a questão econômica do país seja exposta. Vida boa, depois de 2023, parece existir apenas para quem tem “contracheques sem trabalhar”!
Mas, no período eleitoral, o povo não “ganhava um respiro”? Mesmo quando a Justiça Eleitoral autoriza a ida às ruas, quase não se vê mais nada acontecendo. O contato com o povão agora é apenas via redes sociais. Se até escrever o pessoal das assessorias já não escreve mais — tudo agora é via ChatGPT? Esse é o comentário geral entre intelectuais que recebem “resumos ou matérias prontas”. Está todo mundo tentando gastar o mínimo possível? Até quem supostamente pode gastar? E esse hábito de sair gastando a torto e a direito não é crime? Pronto: o ato de votar é de livre e espontânea vontade. Quem pensa que vai ganhar eleições gastando o que não é seu, de forma descontrolada, pode se dar muito mal.
Já há pessoas montando equipes para acompanhar irregularidades — eis uma boa notícia. As eleições estão sendo cada vez mais fiscalizadas pelo próprio povo. E esse negócio de propaganda na TV ou nas redes sociais já não chama tanta atenção. E o deslocamento, virou problema? Quem costumava peregrinar por câmaras e assembleias legislativas já não vai mais. Em suma, se o povo não pode se deslocar, em algum momento os políticos profissionais terão que ir até ele. E o povo não anda muito satisfeito com os políticos. O período eleitoral não será fácil. Eis a realidade.
Feliz é o André, que não anda de jatinho e, quando passa, o povão aplaude!