Texto referencial: A Igreja nos pede: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).
1 – Na Sexta-Feira Santa, nem a Eucaristia é celebrada, pois é dia de reflexão pessoal e de profunda introspecção. Portanto, no Sábado Santo, a Igreja, entristecida pelos acontecimentos ocorridos, induz seus filhos a se perguntarem: por que tudo isso? O que é preciso mudar ou melhorar na vivência do Evangelho?
2 – Por que tantos falam em vazio existencial, em falta de sentido ou até em náusea (J. P. Sartre)? Por que, então, as famílias estão se separando tanto e até os suicídios se repetem? É fome? São as guerras? Acrescento ainda: por que as ganâncias se avolumam? Aumentam as perguntas e faltam respostas convincentes. Por quê? Simplesmente porque o relativismo cresce e, com ele, o materialismo e o ateísmo também. A culpa, no entanto, é, ao menos parcialmente, nossa: não somos verdadeiros discípulos do grande Mestre. Não assumimos autenticamente nossa missão. Imitamos, então, Judas? Às vezes, sim. É preciso, portanto, voltar a Cristo de todo o coração, alma, vontade e força. Cristianismo e covardia não combinam.
3 – Repito: é preciso redescobrir o Evangelho para viver melhor. As perseguições podem até diminuir, mas não os cristãos nem o cristianismo. O sangue dos mártires será sempre semente de novos cristãos. Por isso, ser cristão é tornar-se filho de Deus, irmão em Cristo, mais solidário com os necessitados e defensor da justiça, pela vivência do amor.
4 – O silêncio nem sempre é demonstração de covardia. Às vezes, pode tornar-se ocasião de introspecção e conversão. Seja esse o nosso caso.
Dom Carmo João Rhoden, SCJ
Bispo Emérito de Taubaté (SP)