Quinta-feira Santa e Instituição do Sacerdócio – 02/04/26 (Jo 13,1-15)
Texto referencial: “Fazei isto em memória de mim!” (Lc 22,19; 1Cor 11,24)
A Santíssima Trindade é o mistério dos mistérios; ultrapassa infinitamente nossa capacidade de intelecção. O mistério de Jesus, de dupla natureza e uma só pessoa, é algo pessoal e único. No entanto, é facilmente aceitável, uma vez que a revelação de Jesus nos garante: o Verbo se fez carne (Jo 1,14). A divindade e a humanidade de Cristo são inseparáveis e inconfundíveis na composição de sua pessoa, ou seja, do Verbo. Nunca chegaremos a entendê-lo (mistério), mas podemos admirá-lo, sendo-lhe gratos eternamente.
Na mesma Santa Ceia, Jesus nos brinda com dois sacramentos: o sacerdócio e a Eucaristia, sendo esta o sacramento dos sacramentos. Assim, Jesus surpreende os apóstolos de outrora e a nós, hoje, inclinando-se e lavando os pés dos apóstolos. Até Pedro achou que isso era demais, mas Jesus foi taxativo: “Se eu não te lavar os pés, não terás parte comigo.” Pedro, então, acedeu.
João descreve Deus como amor (pois não pode ser definido) (1Jo 4,8.16) e acrescenta ainda que “nos amou primeiro”. Isso nos deixa embasbacados e, ao mesmo tempo, sumamente felizes.
Ato contínuo, Jesus lavou os pés dos discípulos e os enxugou. Assumiu, assim, a atitude de servo, mesmo sendo Senhor. Insistiu, então: “Sereis felizes se o repetirdes, vós também.”
Por que tantos já perderam a alegria da vida? Porque não sabem amar e, não sabendo amar, não sabem servir. Não conseguem tornar-se verdadeiros discípulos. Não é o nosso caso? Devemos ser honestos: gostamos de ser servidos, mas não de servir. Nós, presbíteros, ainda não o constatamos? Os leigos não o percebem? Os não cristãos não se escandalizam? Não é isto contra testemunho? Sim, é.
Peçamos, então, a Jesus não que nos lave novamente os pés, mas a nossa consciência.
Abençoado e feliz dia do sacerdócio e da Eucaristia.
Dom Carmo João Rhoden
Bispo Emérito de Taubaté (SP)