O que todos estão a buscar? Segurança. E o que o Deus das religiões apresenta? Medo e insegurança perante fatos e acontecimentos. Ninguém gosta de ser confrontado. Eis o motivo de tanta depressão atualmente? As religiões que oferecem o que o público apenas deseja “ver e ouvir” provocam crises existenciais horríveis?
Certo mesmo é o número cada vez maior de gente “perambulando” pra cima e pra baixo. O povo não se aquieta. É plena Quinta-feira Santa, e está todo mundo correndo atrás de ninguém sabe do quê. A busca incessante pelo ter, pelo poder e pelo prazer já é objeto de “análises laboratoriais” faz muito tempo.
Agostinho de Hipona tem uma frase peculiar sobre isso: “o homem somente se saciará completamente em Deus”. E não adianta fugir. Mais cedo ou mais tarde, a ficha cairá. Mas, se ficarmos parados, a coisa tende a piorar? E quem está dizendo o contrário? Para tudo há tempo nesta vida!
Moço, essa questão religiosa o mundo já superou? Ninguém mais liga para isso, não? Ok, tudo bem. E qual o norte, então, dos “aloprados da vida”? Beber, fumar, se drogar o dia inteiro? O corpo não aguentará. Viajar constantemente até dizer chega? Sempre existirá um vazio, pois o que todos buscam é segurança. E segurança plena e absoluta o mundo não pode vos dar.
Então, a vida é apenas acordar, estudar e trabalhar? Também isso merece uma pausa necessária. É verdadeira a frase: “tem muita gente maluca no mundo intelectual”. Até porque tudo nesta vida cansa, fadiga. Pausas são importantes para o reabastecimento das forças.
Então é como se fôssemos baterias e constantemente precisássemos ser carregados? Pode ser uma boa analogia. Mas certo mesmo é que ninguém, até hoje, encontrou a fórmula da felicidade contínua e sem tréguas. Já observou aquelas pessoas em que o “mundo pode estar desabando” e ainda assim estão a sorrir? Também a vida não é isso. No entanto, viver constantemente em alerta, achando que algo imprevisível vai acontecer, não faz bem à saúde. A segurança está em Cristo Jesus!
Mergulho espiritual? O que é isso mesmo? Mergulho espiritual refere-se a uma imersão profunda na presença divina — oração ou meditação para conexão com o sagrado, busca de autoconhecimento e transformação interior. É uma prática de intimidade e esvaziamento do ego, comum entre os bons cristãos.
Moço, até mesmo nos mosteiros não se encontra mais isso? Os monges católicos andam pra cima e pra baixo com celulares — dos mais modernos possíveis — dentro dos mosteiros. E quem disse que, para mergulhar espiritualmente, é preciso recorrer a mosteiros?
Há pessoas que, nestes dias, dormem bem, fazem suas orações, mantêm uma ou duas horas de trabalho, leem e estudam por algumas horas e, quando tudo volta ao normal, estão recarregadas e em forma!
A reflexão vai no sentido do que todos estão a dizer: “ninguém mais se aquieta em plena Semana Santa”! Também não seria este um dos motivos do caos estabelecido no mundo? A Sagrada Escritura não diz: “buscai em primeiro lugar o Reino de Deus, e tudo vos será acrescentado”?
Já dizem os mais sábios: tentar construir algo apenas com as próprias forças tem, no final, um desfecho trágico. Em suma, quem, em sã consciência, pode acrescentar algo verdadeiramente infinito à sua vida? Viraram agora “conselheiros de vida”?
Qual o sentido de semear o bem? Não é fazer com que o máximo possível de pessoas conheça e siga a Cristo Jesus, Deus? No mundo, existem inúmeros oásis de felicidade. Quantas pequenas paróquias e comunidades cristãs espalhadas pelo mundo não experimentam diariamente a partilha e o viver fraterno? Inúmeras. São os Sinais de Deus!