Acompanhemos a trajetória de Jesus ao encontro de sua morte. Ele procurou conforto na casa de amigos, no caso, a de Lázaro, Marta e Maria. Ali foi extraordinariamente bem acolhido e servido. Ofereceram-lhe até um banquete, no qual Maria lhe ungiu os pés com meio litro de perfume precioso; tanto é verdade que o recinto ficou totalmente perfumado. Ela, ainda mostrando seu amor e carinho ao Mestre, enxugou os pés com seus cabelos.
O gesto a uns desagradou, mas Jesus a defendeu das críticas de seus inimigos, dizendo: “O que ela está fazendo é preparar-me para a sepultura”. Acrescentou ainda: “Pobres tereis sempre convosco, mas a mim nem sempre.”
Jesus, de fato, não só defendia os necessitados, os pobres, mas Ele próprio se fez pobre, vivendo com e como pobre.
A felicidade, contudo, neste mundo, não foi duradoura nem para Jesus. Judas — logo quem — criticou a ação de Maria, dizendo: “Por que tal desperdício? Não se deveria com tal montante ajudar os pobres?” João, com perspicácia, acrescentou: ele o fazia não porque amasse os pobres, mas, sendo “ecônomo do grupo”, costumava desviar as ofertas, roubando-as.
E eu, o que direi? Até parece que já estávamos no Brasil… pois, tão belo e prendado, mas onde ainda cresce, espantosamente, o número dos aproveitadores, quando não até ladrões dos mais desfavorecidos.
E nós, cristãos, hoje, como agimos? Já compreendemos o alcance de nossa missão? Aquela “família de Lázaro e Maria” colaborou de corpo, alma e coração com Jesus. Deu-nos um belo exemplo. Como a imitamos? Não basta admirá-la; é preciso imitá-la no acolhimento dos irmãos (as), mormente os mais necessitados.
Não nos faltam belos exemplos dos que nos precederam. É preciso, portanto, continuá-los em nossos tempos, religiosamente tão fragilizados e até confusos, por isso mesmo tão necessitados de verdadeiros discípulos, de homens e mulheres convictos, de pessoas que vivam o que professam.
Abençoada Semana Santa para todos.
Dom Carmo João Rhoden
Bispo Emérito de Taubaté (SP)
Segunda-feira Santa, 30/03/26.