Jesus entra em Jerusalém, montado em um jumentinho. Isso significa que entra na cidade que é sua para realizar, com toda a humanidade, uma missão de paz, ainda que essa paz tenha como preço a sua própria vida.
Vatican News – Josenildo* Melo
O Senhor é aclamado como se faz a um general romano ou a um herói egípcio quando de sua chegada à sua cidade, à sua terra, após uma gloriosa vitória.
Apenas algumas diferenças: o Senhor ainda vai consumar sua luta e, enquanto os vencedores trazem consigo o espólio dos vencidos e os próprios vencidos como troféus, será o Senhor o próprio espólio, o grande serviçal, o escravo de todos nós.
Esse gesto nos recorda um trecho da segunda leitura de hoje, da Carta de São Paulo aos Filipenses, que diz: “Não deveis fazer nada por egoísmo ou para sentir-vos superiores aos outros, mas cada um de vós, com toda a humildade, considere os outros superiores a si mesmo. Ninguém procure o próprio interesse, mas, antes, o dos outros.” O Senhor buscou apenas o nosso interesse; ou melhor, o interesse do Senhor é a nossa salvação.
Jesus entra em Jerusalém, montado em um jumentinho. Isso significa que entra na cidade que é sua para realizar, com toda a humanidade, uma missão de paz, ainda que essa paz tenha como preço a sua própria vida.
Cristo entra em Jerusalém para entregar-se como oferta ao Pai, em nome de cada um de nós. Ele se coloca em nosso lugar e sofre as consequências que nosso egoísmo, nossa falta de amor e de perdão ocasionaram. Ele é o verdadeiro cordeiro pascal, a verdadeira vítima. Seu corpo é o pão e seu sangue é o vinho. Somos redimidos, para sempre, por seu sangue derramado. De fato, Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.
Outro ensinamento, agora colhido da leitura da Paixão — este ano, a de São Mateus —, é sobre a retaliação e a paz. Jesus impede que Pedro continue sua ação de punir o soldado que o ofendera e diz a ele: “Guarde a espada na bainha!” e cura Malco. Somos filhos da paz! Nosso Rei é o Príncipe da Paz, o Pacificador.
Que este início da Semana Santa nos comprometa com o projeto de Jesus para nós. Sejamos irmãos, sejamos filhos do mesmo Pai de nosso Senhor. Que a humildade e a paz sejam nossos tesouros, recebidos através do sacrifício redentor do Filho de Deus! Nossa libertação do egoísmo e da ira, da raiva, custou o sangue inocente de Jesus. Valorizemos, com gratidão e amor, o sacrifício do Senhor por nós.
*Vaticanista - Jornalista especializado em cobertura do Vaticano e da Igreja Católica