Com os ramos, os pequenos e humildes aclamam a Jesus, o Rei do Amor e da Paz!
Ao iniciarmos a Semana Santa, entramos com Jesus em Jerusalém e em nossa história, carregando em nossas mãos ramos que significam nosso seguimento de discípulos, nossa pertença ao Povo de Deus que caminha junto, testemunhando a esperança do Reino. Domingo de Ramos e da Paixão: dia de contrastes e vozes diferentes, dia de entusiasmo e de incoerências. Também hoje, dentro e fora de nós, acontecem essas atitudes contraditórias.
Por um lado, queremos seguir e servir a Jesus; por outro, o abandonamos quando a exigência da cruz amorosa nos pede uma doação e entrega maiores. Vibramos com a purificação do Templo, mas depois buscamos, às vezes sem consciência, outras modalidades de fé superficial e de barganha, unidas a expectativas de falsa prosperidade.
As crianças e os jovens de Israel, na sua inocência e limpidez, expressam melhor a sua adesão a Jesus, enxergando mais de perto Jesus como alguém que transcende as versões interesseiras ou de poder e dominação, para nos dar acesso a uma vida nova, mais plena e mais digna de filhos de Deus.
A Semana Santa, considerada desde sempre como a Semana Maior, da misericórdia e clemência de um Deus que morre em nosso lugar, derramando seu sangue para gerar vida em abundância, oferece e irradia libertação integral para todos. No coração do Ano Litúrgico, não fiquemos no palco ou assistindo ao mistério e ao drama da nossa salvação como meros espectadores ou turistas espirituais, mas mergulhemos por inteiro, não só nos ritos, mas no itinerário espiritual das trevas para a luz, do ódio para o amor, do desespero e da indiferença para a esperança, do medo para a confiança e a entrega, configurando-nos com o Crucificado e identificando-nos com seus sentimentos, dores e angústias, para vencer com Ele a morte.
Caminhando inseridos no seu Corpo, a Igreja, que nasce e brota do seu coração aberto e ferido na cruz. Da qualidade da vivência e autenticidade com que celebramos esta semana dependerão também a intensidade, o vigor e a força da nossa vida interior e do apostolado, do nosso testemunho e compromisso social com os pobres.
Morramos com Ele para ressuscitar com Ele, para uma vida luminosa, frutuosa e contagiante, semeando paz, bondade, justiça e ternura para todas as pessoas e criaturas, sendo sinais vivos e transbordantes da Nova Criação em Cristo Ressuscitado.
Tenhamos o rosto do Ressuscitado e as marcas do Crucificado, promovendo a vida e os direitos sociais, particularmente o direito a uma moradia digna, e a reconciliação de tudo e com todos, tornando a Terra inteira um lugar acolhedor, habitável e onde a benquerença faça de todos os povos e nações uma só família. Deus seja louvado!
Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)