
O conglomerado estatal Poste Italiane apresentou uma proposta de 10,8 bilhões de euros, cerca de R$ 66 bilhões, para assumir o controle total da Telecom Italia (TIM). A operação, revelada pela agência Reuters, tem como objetivo reestatizar a empresa quase 30 anos após sua privatização. A oferta inclui pagamento em dinheiro e ações, e a expectativa é concluir o negócio ainda em 2026, com impacto positivo nos resultados a partir de 2027.
A estatal já é a principal acionista da TIM desde o ano passado, quando adquiriu 27% do capital da empresa que pertenciam à francesa Vivendi. Agora, busca comprar as ações restantes para consolidar o controle. Segundo o CEO da Poste, Matteo Del Fante, dominar a infraestrutura digital da operadora, que envolve redes, computação em nuvem e data centers, é estratégico para fortalecer a competitividade do país e ampliar a segurança de dados.
A movimentação faz parte de um esforço mais amplo de governos europeus para retomar ativos considerados sensíveis, especialmente aqueles ligados a dados e tecnologia. A ideia é criar empresas nacionais fortes o suficiente para competir com as gigantes de tecnologia dos Estados Unidos. Apesar disso, o mercado reagiu com cautela: as ações da Poste caíram, enquanto os papéis da TIM registraram alta após o anúncio.
No Brasil, a TIM enfrenta perda gradual de espaço no mercado de telefonia móvel. Atualmente, ocupa a terceira posição, atrás de Vivo e Claro, com participação em queda desde 2022. Diante do cenário financeiro pressionado e do alto endividamento, cresce na Itália a discussão sobre uma possível venda da operação brasileira como forma de reorganizar as contas do grupo.
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