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Polícia VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

“Matei ela, mãe”: feminicídio em Goiânia expõe explosão de violência em relacionamentos jovens

Após matar a namorada de 21 anos, homem grava vídeo confessando o crime e envia à própria mãe antes de se entregar à polícia

22/03/2026 às 12h59
Por: Douglas Ferreira
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Raiane Santos foi morta pelo companheiro - Foto: Reprodução/Editada por IA
Raiane Santos foi morta pelo companheiro - Foto: Reprodução/Editada por IA

A violência doméstica deixou de ser um fenômeno restrito a relações longas, marcadas por décadas de desgaste. Nos últimos anos, o que se observa com preocupação crescente é a escalada de agressividade dentro de relacionamentos cada vez mais jovens. Namoros que deveriam estar no início da construção de uma vida comum acabam mergulhando em discussões, ciúmes, instabilidade emocional e, em casos extremos, tragédias irreversíveis. O feminicídio ocorrido em Goiânia é mais um capítulo sombrio dessa realidade.

Na sexta-feira, 20 de março, a jovem Raiane Maria Silva Santos, de apenas 21 anos, foi morta dentro do apartamento onde vivia com o namorado. O autor confesso do crime é André Lucas da Silva Ribeiro, que acabou preso em flagrante logo após o assassinato.

O caso ganhou contornos ainda mais perturbadores por causa da atitude do próprio agressor. Logo após o crime, ele gravou um vídeo caminhando dentro do apartamento e enviou a gravação para a própria mãe. Na mensagem, admitiu o homicídio com uma frieza que impressiona.

No vídeo, ele afirma que não suportava mais o relacionamento e diz ter matado a namorada. A gravação foi feita minutos depois do ataque e revela um homem aparentemente consciente do que havia feito, chegando a afirmar que pretendia se entregar à polícia.

A Polícia Militar confirmou que, no momento da prisão, André Lucas voltou a confessar o assassinato.

Segundo a investigação conduzida pela delegada Priscila Ribeiro, havia uma terceira pessoa no apartamento no momento da tragédia. Um amigo que morava com o casal relatou ter ouvido uma discussão entre os dois, algo que inicialmente lhe pareceu apenas mais um desentendimento doméstico.

Discussões entre casais infelizmente se tornaram tão comuns que muitas vezes passam despercebidas por quem está ao redor. No entanto, desta vez o desfecho foi brutal. O amigo contou ter ouvido um barulho forte, como se algo tivesse caído no chão. Ao entrar no quarto, encontrou Raiane caída, já gravemente ferida, com uma mancha de sangue na região do peito.

Equipes de socorro foram acionadas imediatamente, mas quando chegaram ao local nada mais pôde ser feito. A jovem já estava morta.

A pergunta inevitável que surge em casos como esse é o que leva um relacionamento jovem a terminar em assassinato. Até o momento, a investigação não apontou diagnóstico de transtorno mental no suspeito. O que aparece nos relatos iniciais é um padrão cada vez mais recorrente em crimes desse tipo. Conflitos emocionais, incapacidade de lidar com frustrações e uma visão distorcida de posse sobre o parceiro.

O próprio agressor justificou o crime afirmando que não “aguentava mais” a relação. Uma frase que, longe de explicar o homicídio, apenas expõe o grau de intolerância emocional que tem marcado muitos relacionamentos contemporâneos.

A defesa do suspeito ainda não apresentou uma versão formal detalhada dos fatos além da confissão inicial. A investigação segue para esclarecer a dinâmica completa do crime e confirmar os elementos que caracterizam o feminicídio.

O caso reacende um debate incômodo sobre a forma como jovens lidam com conflitos afetivos. Em vez de diálogo ou término do relacionamento, muitos episódios acabam escalando para agressões físicas, ameaças e, nos casos mais extremos, assassinatos.

Tragédias como a de Raiane Maria Silva Santos deixam uma pergunta difícil de ignorar. Em que momento as relações afetivas passaram a ser tratadas como campos de batalha emocionais. Porque quando um namoro termina com um vídeo de confissão enviado à própria mãe, fica claro que algo muito mais profundo está quebrado nas relações humanas contemporâneas.

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