Papa: a informação livre e respeitosa é instrumento de paz
"A informação, quando é livre e respeitosa da dignidade humana, torna-se um instrumento poderoso para edificar o povo dos leitores e ouvintes no caminho rumo a uma paz desarmada e perseverante", escreve o Papa aos integrantes do canal "Tgcom24".
Vatican News - Josenildo *Melo
Por ocasião dos 25 anos de fundação do canal de notícias "Tgcom24", do grupo italiano Mediaset, o Papa Leão enviou suas saudações e seu apreço pelo trabalho que este veículo jornalístico realiza diariamente em prol da informação. "Numa época marcada por mudanças significativas e por palavras muitas vezes gritadas na internet, a tarefa da mídia torna-se uma missão importante. Exorto-os a continuar a construir pontes de diálogo, promovendo uma narrativa que não se limite à superfície das notícias, mas que saiba olhar com respeito, solidariedade e compaixão para as periferias do sofrimento", escreve o Santo Padre na mensagem.
A busca pela verdade, prossegue, deve ser sempre acompanhada por um profundo senso de responsabilidade ética, combatendo a disseminação de notícias falsas e promovendo uma cultura do encontro que una as diversas "almas" da sociedade. "A informação, quando é livre e respeitosa da dignidade humana, torna-se um instrumento poderoso para edificar o povo dos leitores e ouvintes no caminho rumo a uma paz desarmada e perseverante".
O Santo Padre conclui o texto confiando o trabalho da redação à proteção de São Francisco de Sales, padroeiro dos comunicadores.
A Igreja Católica celebra São Nicolau de Flüe, padroeiro da Suíça. O irmão Nicolau (Bruder Klaus), como também é conhecido, teve um itinerário de vida interessante e marcante, que o levou da vida familiar à vida contemplativa, da atividade política ao serviço de Deus em tempo integral. São Nicolau de Flüe é um verdadeiro símbolo da unidade do povo suíço e de seu espírito pacifista; ou seja, da não interferência em conflitos internacionais. Por ambos os motivos, o santo goza do respeito e do carinho de seus compatriotas, tanto católicos quanto protestantes.
Niklaus von Flüe — seu nome em alemão — nasceu em 1417, em Flüeli-Ranft, uma localidade da comuna de Sachseln, no cantão (região) de Obwalden, em uma família de camponeses. Ainda criança, trabalhou no campo até ingressar na vida militar. Ele participou da guerra contra Zurique (1440–1446), quando este cantão enfrentou a Antiga Confederação Suíça, da qual fazia parte. Aos 30 anos, casou-se com Dorotea Wyss, com quem teve 10 filhos. Na casa dos von Flüe, todos trabalhavam no campo e viviam como cristãos.
Aos 37 anos, o santo retomou a carreira militar e se tornou capitão. Nesse período, participou das campanhas expansionistas da Confederação contra o Sacro Império Romano-Germânico. É muito provável que essa experiência tenha contribuído para sua posição crítica sobre a guerra como mecanismo para subjugar novos territórios e dar poder às casas feudais ou imperiais. Nos anos seguintes, iniciou sua carreira política e ocupou importantes cargos públicos: primeiro, conselheiro do Condado de Obwalden; depois, deputado da Dieta Federal.
Assim, desde 1467 até sua morte, viveu na humilde cela que ele mesmo construiu ao lado da capela, no vale de Ranft. Isso lhe deu a oportunidade de assistir diariamente à missa e viver apenas de e para Deus: diz-se que ele não ingeriu nenhum alimento por dezenove anos, exceto a Eucaristia. A fama do irmão Nicolau ultrapassou fronteiras: milhares de pessoas, inclusive autoridades civis e eclesiais, o visitavam em busca de conselhos.
*Josenildo Nascimento Melo é Vaticanista - este texto também contém conteúdo da ACI Digital