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Polícia MORTE OFICIALIZADA

Morte do “Sicário” de Vorcaro levanta novas dúvidas sobre esquema bilionário e segurança na carceragem da PF

Luiz Phillipi Mourão, apontado como operador de vigilância do grupo, morreu após protocolo de morte encefálica; caso levanta questionamentos sobre custódia do Estado

07/03/2026 às 13h11 Atualizada em 07/03/2026 às 21h40
Por: Douglas Ferreira
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Confirmada a morte de Sicário do Vorcaro - Foto: Reprodução/Alterada por IA
Confirmada a morte de Sicário do Vorcaro - Foto: Reprodução/Alterada por IA

A defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão confirmou nesta sexta-feira a morte do homem identificado nas investigações como o “Sicário” ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mourão estava preso na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte.

De acordo com os advogados, o falecimento foi oficialmente declarado às 18h55, após o encerramento do protocolo médico de morte encefálica, iniciado pela manhã. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal para os procedimentos legais.

Segundo a Polícia Federal, Mourão teria tentado tirar a própria vida dentro da cela onde estava detido. Ele havia sido preso preventivamente na última quarta-feira no âmbito da operação que investiga um suposto esquema financeiro ligado a Vorcaro.

Quem era o “Sicário”

Nas investigações, Mourão aparece como figura central em uma estrutura informal conhecida como “A Turma”, grupo que, segundo os investigadores, atuava em serviços clandestinos de vigilância, monitoramento e obtenção de informações.

Relatórios da investigação apontam que ele comandaria operações de acompanhamento de pessoas, coleta de dados e intimidação de críticos do grupo, recebendo cerca de R$ 1 milhão por mês por esses serviços.

A apuração também indica que Mourão teria acessado bases restritas de dados públicos, utilizando credenciais de terceiros para consultar sistemas vinculados à própria Polícia Federal, ao Ministério Público Federal e até bancos de dados internacionais.

Por esse conjunto de informações, investigadores consideravam Mourão um personagem-chave para entender a extensão do suposto esquema financeiro investigado.

Suspeitas de intimidação contra jornalista

Na decisão que autorizou as prisões, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, citou indícios de uma troca de mensagens na qual Vorcaro teria determinado a simulação de um assalto ou episódio semelhante para “prejudicar violentamente” o jornalista Lauro Jardim.

Segundo o ministro, o objetivo seria intimidar e silenciar vozes da imprensa críticas ao grupo. O jornal O Globo divulgou nota repudiando qualquer tentativa de intimidação contra seu colunista.

A morte sob custódia do Estado

A morte de Mourão levanta uma série de questionamentos inevitáveis.

Quando uma pessoa está presa em uma unidade policial, ela passa a estar sob responsabilidade direta do Estado brasileiro. Isso significa que as autoridades têm o dever legal de garantir sua integridade física e psicológica.

A Polícia Federal informou que todo o episódio foi registrado por câmeras de segurança e que não haveria pontos cegos nas imagens. O material será encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça para análise.

Segundo relatos divulgados pela jornalista Míriam Leitão, o momento entre a tentativa de suicídio e o socorro prestado por agentes teria sido totalmente filmado.

Ainda assim, especialistas em direito penal afirmam que mortes de presos sempre exigem investigação rigorosa, justamente porque ocorrem sob custódia estatal.

Perguntas que permanecem

O caso inevitavelmente levanta dúvidas que deverão ser esclarecidas pelas investigações:

  • Como ocorreu a tentativa de suicídio dentro da carceragem da PF?

  • Havia monitoramento constante do preso?

  • Existem protocolos específicos de acompanhamento psicológico para presos recém-detidos?

  • Houve falha de vigilância ou de procedimentos de segurança?

Essas perguntas ganham ainda mais peso pelo papel que Mourão desempenhava no inquérito.

Para investigadores, ele poderia fornecer informações sensíveis sobre a estrutura e os métodos do grupo investigado.

Um capítulo que pode impactar a investigação

A morte do homem conhecido como “Sicário” ocorre em um momento crucial da investigação que mira o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Considerado por investigadores como uma espécie de operador de inteligência informal, Mourão era visto como alguém capaz de esclarecer a dimensão real das atividades investigadas.

Com sua morte, uma parte potencialmente relevante dessa história pode ter se perdido.

Mas o episódio abre outro capítulo igualmente delicado: o debate sobre responsabilidade do Estado na custódia de presos e a necessidade de transparência total quando uma morte ocorre dentro de uma unidade policial.

As próximas etapas da investigação deverão esclarecer não apenas o alcance do suposto esquema financeiro, mas também as circunstâncias exatas da morte de um dos seus personagens mais controversos.

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