Na Lateranense, simpósio sobre a custódia da Criação na era da IA
A Pontifícia Universidade Lateranense (PUL), conhecida como a "Universidade do Papa", é uma prestigiada instituição de ensino superior católica sediada no Vaticano/Roma, fundada em 1773. É o centro acadêmico direto da Santa Sé, com foco no ensino teológico, filosófico, no direito canônico e civil, além de ciências da paz e da ecologia. Acolhe mais de 1.000 estudantes de diversas partes do mundo, incluindo leigos, eclesiásticos, religiosos e seminaristas. É considerada a "universidade do Papa" devido à sua ligação intrínseca com o bispo de Roma (o Papa), servindo para aprofundar o magistério petrino.
“A criação geme em espera” é o título do quinto Encontro Multidisciplinar Salus Hominis, programado na Universidade Pontifícia Lateranense nos próximos dias 12 e 13 de março.
Vatican News – Josenildo* Melo
As repercussões da inteligência artificial em todos os âmbitos da vida e das atividades humanas multiplicam-se a uma velocidade algorítmica e questionam, com cada vez mais insistência, também o horizonte da fé. Em particular, “na transição de época marcada pela crise ecológica e pela revolução digital, a questão sobre a criação volta a ser uma questão sobre o ser humano: sobre seus limites, suas responsabilidades, seu futuro”. É o que escrevem os organizadores do quinto Simpósio Multidisciplinar Salus Hominis, que a Universidade Pontifícia Lateranense sediará nos próximos dias 12 e 13 de março.
Critérios compartilháveis de ecologia integral
Trata-se de um debate acadêmico que pretende relacionar a teologia da criação, a ecologia e a inteligência artificial, no qual “diferentes disciplinas — lê-se em um comunicado — questionam o que hoje molda a experiência do mundo: as tecnologias inteligentes, os novos ecossistemas informativos, as formas de poder e de decisão que elas possibilitam, as consequências culturais e ambientais que delas decorrem”.
O título “A criação geme em espera” é retirado de uma passagem da Carta aos Romanos e, “neste contexto — sublinha-se —, a tradição bíblica e patrística não é evocada como ornamento, mas como chave hermenêutica para ler o presente e orientar o futuro”.
Da mesma forma, os três verbos do subtítulo — “Custodiar, habitar, transfigurar a criação na era da Inteligência Artificial” — “abrem um caminho que atravessa a reflexão teológico-filosófica e se confronta com as questões emergentes da IA (algoritmos, informação, responsabilidade), para elaborar critérios compartilháveis de ecologia integral, em que a justiça para as pessoas e para os territórios encontra um horizonte de esperança”.
Os temas dos trabalhos
O simpósio que, afirmam os organizadores, “reconhece ao simbólico e ao artístico — em diálogo com a estética da criação e a música — um papel decisivo na elaboração cultural de visões de mundo e critérios de responsabilidade”, articula-se em quatro sessões: “Fundamentos teológico-filosóficos da criação na história da salvação”; “Ecologia, tecnologia e novos imaginários culturais na era digital”; “Justiça, direito e proteção da criação”; “Do local ao global: sensibilidade e perspectivas internacionais”.
Participam dos trabalhos estudiosos das áreas bíblica, teológica, filosófica, jurídica e estética, “para uma reflexão interdisciplinar sobre o tema da criação, da crise ecológica e das responsabilidades antropológicas, morais e culturais do nosso tempo”.
*Josenildo Nascimento Melo é Vaticanista