O Papa: mesmo quem não tem fé pode ser alguém que procura Deus
Leão XIV responde, na edição da revista “Piazza San Pietro”, à carta de um homem que se define como “um ateu que ama a Deus”: o verdadeiro problema não é acreditar ou não acreditar em Deus, mas buscá-Lo — e é aí que reside a dignidade e a beleza da nossa vida.
Vatican News – Josenildo* Melo
“Não pode ser ateu quem ama a Deus, quem o busca com coração sincero.” Assim responde o Papa Leão, citando Santo Agostinho, a Rocco, de Reggio Calabria — sul da Itália —, que enviou uma carta à revista “Piazza San Pietro”, editada pela Basílica Vaticana. O Pontífice agradece pela poesia de Rocco, que pede ajuda e questiona se é possível definir-se ateu e, ao mesmo tempo, amar a Deus.
Encontrar Deus dentro de si mesmo
“Acredito que não acredito; absolutamente certo do nada, continuo a ansiar por Deus. O meu drama — acrescenta Rocco, na sua poesia — é Deus! A minha inquietação é Deus!”
“O que você afirma — responde o Papa — fez-me lembrar imediatamente o que meu amado pai Santo Agostinho escreve nas Confissões: ‘Tu estavas dentro de mim, e eu fora; e lá eu te procurava’.” Uma citação que bem destaca como a busca por Deus é desejo.
Na busca de seu rosto reside a dignidade da vida humana
“O verdadeiro problema da fé — continua Leão XIV — não é acreditar ou não acreditar em Deus, mas procurá-Lo! Ele deixa-se encontrar pelo coração que O procura e, talvez, a distinção correta a fazer não seja tanto entre crentes e não crentes, mas entre aqueles que procuram e aqueles que não procuram Deus.”
E então o Papa acrescenta que se pode pensar que se é crente sem buscar o rosto de Deus e, portanto, sem amá-Lo; ao contrário, pode-se estar convencido de não acreditar e, em vez disso, “ser um buscador ardente de seu rosto, amá-Lo” — conclui, dirigindo-se a Rocco — “como você faz. Eis que todos nós somos desejosos de Amor, buscadores de Deus. E aqui reside a dignidade e a beleza de nossa vida.”
*Josenildo Nascimento Melo é Vaticanista