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Reflexão para o II Domingo da Quaresma

O chamado feito a Abraão — vocação — pode ser visto como o início do Povo de Deus

01/03/2026 às 06h58 Atualizada em 01/03/2026 às 15h32
Por: Josenildo Melo Fonte: Silvonei José / Rádio Vaticano
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Foto: https://www.vaticannews.va/en.html
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Jesus não era mais um, mais um profeta, mas o Filho amado do Pai, no qual Ele colocou todo o Seu agrado e a quem deveremos sempre escutar.

Neste domingo, a liturgia se ocupa em nos mostrar que nossa vida deve ser um eterno caminhar com Jesus, tendo como exemplo Abraão, que tudo deixa para seguir sua vida com Deus e deverá estar preparado para enfrentar, com ânimo, as dificuldades que encontrará na caminhada.

Vatican News – *Josenildo Melo

O chamado feito a Abraão — sua vocação — pode ser visto como o início do Povo de Deus. Nosso patriarca vive bem em sua terra, possui mulher, família e muitos bens. Deus, ao convidá-lo para estar com Ele, solicita que deixe tudo e vá para onde Ele lhe indicar. Abraão obedece e parte com sua mulher, seu sobrinho, empregados e bens. Ele confia na promessa do Senhor de que terá descendência e terra, de que será a origem de um grande povo.

O que aconteceu com Abraão? Como ele deixa a segurança conquistada e empreende uma aventura? Qual a segurança que ele possui? Como tem certeza de que foi Deus quem lhe falou e lhe pediu essa aparente loucura?

Deus não apareceu a Abraão de modo físico, palpável, nem pronunciou palavras dirigidas a ele; mas Abraão possuía uma visão espiritual da realidade em que vivia. Ele sabia ler, nos acontecimentos da vida, a ação de Deus e entendia, refletindo na oração, o que Deus lhe pedia.

Abraão teve coragem de deixar o modelo de vida que lhe dava segurança e, desacomodando-se, seguiu em frente naquilo que o Senhor lhe pedia por meio de sinais compreendidos na oração.

Todo aquele que presta atenção nos acontecimentos da vida — que conhecemos por meio de jornais, rádio, televisão, internet e, principalmente, naqueles que se referem diretamente à nossa vida particular — e apresenta tudo isso ao Senhor para que, à luz do Espírito Santo, possa refletir, saberá quais são os apelos de Deus para sua vida e poderá se considerar filho de Abraão, membro desse Povo que é guiado pelo Senhor e não tem medo de desafios nem de viver na insegurança deste mundo. Sua proteção está no Senhor, que fez o céu e a terra. Por isso, sente-se livre para deixar o conforto e a segurança e, com sua família, após um discernimento, partir para o desconhecido, mas indicado pelo Senhor.

No Evangelho, Mateus, como sempre, quer mostrar a todos que Jesus é o verdadeiro Messias. Ele, desde o início do trecho de hoje, usa terminologias já conhecidas no Antigo Testamento, quando lemos o relato da Criação: “Seis dias depois”. Seis dias depois de quê? Da Criação do mundo? Da Criação do homem? Quando lemos o Êxodo, encontramos também a expressão “uma alta montanha”. Qual? A do Sinai? Em seguida, ele fala de uma “nuvem luminosa”. Também lemos sobre ela no Êxodo.

Como podemos interpretar o recado de Mateus?

Em seu Evangelho, sempre que Jesus vai fazer algo muito importante, Ele sobe a montanha. Jesus repete várias vezes o que Moisés fez. Moisés é envolvido por uma luz; Cristo também.

Após o sexto dia, Deus descansou: temos a conclusão da Criação. No Evangelho, o sexto dia quer apresentar a plenificação daquilo que Deus preparou para o homem.

Mateus nos apresenta Jesus como o verdadeiro Moisés, aquele que dá ao novo Povo de Deus a nova Lei, aquele que revela Deus definitivamente. Jesus nos revela o projeto do Pai.

Todo aquele que possui afinidade e intimidade com Jesus Cristo leva adiante essa atenção reflexiva para perceber se, no seu dia a dia, o Senhor não lhe está pedindo alguma coisa. Para essas pessoas, nada é por “acaso”. Para elas, essa palavra não existe. O que aparentemente surgiu sem motivo, de modo espontâneo e gratuito, mas interferindo em minha vida, deve ser olhado e refletido como uma mensagem de Deus para mim.

Para os três apóstolos — Pedro, Tiago e João —, a transfiguração de Jesus foi ocasião para crescerem na atenção dada ao Mestre. Jesus não era mais um, mais um profeta, mas o Filho amado do Pai, no qual Ele colocou todo o Seu agrado e a quem deveremos sempre escutar.

*Josenildo Nascimento Melo é Vaticanista

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Sobre Josenildo Nascimento Melo é jornalista, estudou direito, é Bacharel em Serviço Social pelo ICF - Instituto Camillo Filho. É também licenciado em Filosofia pelo ICESPI - Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí.
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