
Papa Leão: “Com o intuito de animar o povo fiel em cada itinerário quaresmal, há mais de sessenta anos a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade”
Vatican News – Josenildo *Melo
O Papa enviou à Igreja Católica no Brasil uma mensagem, por ocasião do lançamento da Campanha da Fraternidade 2026. Há mais de sessenta anos a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade — escreveu Leão XIV —, momento em que, como comunidade de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa aos pobres, os verdadeiros destinatários do nosso amor preferencial, como fez questão de recordar na Exortação Apostólica Dilexi te.
Eis a mensagem do Santo Padre:
Queridos irmãos e irmãs do Brasil,
Chegamos à época solene que nos lembra o dever de nos aplicarmos à prece e ao jejum mais do que em qualquer outro tempo do ano, iluminando nossas almas e disciplinando nossos corpos. Assim escreveu Agostinho em um de seus sermões sobre o tempo litúrgico que já estamos, durante o qual recebemos um especial chamado de Deus a uma autêntica conversão, redirecionando toda a nossa vida para Ele, ao seguirmos, por meio do jejum e da penitência, os passos de Nosso Senhor, que se retirou ao deserto por 40 dias. Em tempo de intensa oração, somos igualmente convidados a praticar, com renovado empenho, a virtude da caridade para com os mais pobres e necessitados, com os quais o próprio Cristo se identifica. Que o Espírito Santo, autor da santificação, nos conduza ao longo deste caminho.
Com o intuito de animar o povo fiel em cada itinerário quaresmal, a Campanha da Fraternidade, momento em que, como comunidade de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa aos pobres, os verdadeiros destinatários do nosso amor preferencial, como fiz questão de recordar: convencidos de que «existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres» (n. 36), «devemos empenhar-nos cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza» (n. 94). À semelhança do que foi feito em 1993, no presente ano, inspirados pelo lema “Ele veio morar entre nós” (cf. Jo 1, 14), a proposta apresentada é a de voltar o olhar para os nossos irmãos que sofrem com a falta de uma moradia digna.
Meu predecessor, João Paulo II, convidava a voltar a atenção «para os milhões de seres humanos privados de uma habitação conveniente, ou até mesmo sem qualquer habitação, a fim de despertar a consciência de todos e encontrar uma solução para este grave problema, que tem consequências negativas no plano individual, familiar e social», afirmando que «a falta de habitação, que é um problema de per si muito grave, deve ser considerada como o sinal e a síntese de uma série de insuficiências econômicas, sociais, culturais ou simplesmente humanas» (Sollicitudo Rei Socialis, 17).
Nesse sentido, é meu desejo que a reflexão sobre a dura realidade da falta de moradia digna, que afeta tantos irmãos nossos, leve não somente a ações isoladas, sem dúvida necessárias, que venham, de modo emergencial, em seu auxílio, mas gere em todos a consciência de que a partilha dos dons que o Senhor generosamente nos concede não pode restringir-se a um período do ano, a uma campanha ou a algumas ações pontuais, mas deve ser uma atitude constante, que nos comprometa a ir ao encontro de Cristo presente naqueles que não têm onde morar.
Desejo igualmente, queridos irmãos e irmãs, que as iniciativas nascidas a partir da Campanha da Fraternidade possam inspirar as autoridades governamentais a promover políticas públicas, a fim de que, trabalhando todos em conjunto, seja possível oferecer à população mais carente melhorias significativas nas condições de habitação.
Confio estes votos aos cuidados de Nossa Senhora, que não encontrou morada em Belém para dar à luz o Redentor, mas que tem sua casa, como Rainha e Padroeira do Brasil, no Santuário Nacional de Aparecida. E, como penhor de abundantes graças, concedo de bom grado aos filhos e filhas da querida nação brasileira, de modo especial àqueles que se empenham para que todos tenham moradia digna, a Bênção Apostólica.
*Josenildo Nascimento Melo é Vaticanista
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