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Especiais PERÍODO DA QUARESMA

6ª meditação: Mil cairão

Há quedas que cheiram a inferno e arrastam o culpado por um rastro de destruição e ruína.

26/02/2026 às 00h04 Atualizada em 26/02/2026 às 12h14
Por: Josenildo Melo Fonte: Vaticano/Santa Sé/Cúria Romana
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Foto: https://rr.pt/ / Ecclesiae
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Exercícios Espirituais da Quaresma, 6ª meditação: Mil cairão

O Bispo Erik Varden faz sua sexta reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos dicastérios, concentrando-se no tema: "Mil cairão".

Por *Josenildo Melo – Vatican News

As quedas podem nos tornar humildes quando estamos inchados de orgulho. Podem revelar o poder salvífico de Deus. Podem tornar-se marcos de um caminho pessoal de salvação, a serem lembrados com gratidão.

Entretanto, não podemos ser ingênuos. Nem todas as quedas terminam em júbilo. Há quedas que cheiram a inferno e arrastam o culpado por um rastro de destruição e ruína. Esse rastro é frequentemente amplo e longo e acaba por atingir muitos inocentes. Precisaremos de coragem para nos aproximar, com Bernardo, do versículo do Salmo 90 que começa: “Caiam mil ao teu lado, e dez mil à tua direita”.

Onde os homens se empenham em esforços nobres, recorda-nos Bernardo, os ataques do inimigo serão ferozes. Ele observa: “Os membros espirituais da própria Igreja são atacados com muito mais aspereza do que os carnais”. Pensa que é precisamente isso que o Salmo Qui habitat quer dizer com sua linguagem de “esquerda” e “direita”: a esquerda representa nossa natureza carnal; a direita, nossa natureza espiritual. As vítimas são mais numerosas à direita porque é ali que, no campo de batalha espiritual, são empregadas as armas mais letais.

Mesmo levando a sério o reino demoníaco, Bernardo não atribui todas as doenças espirituais a seres malignos com chifres e forquilhas. Ele considera homens e mulheres responsáveis pelo uso que fazem de sua liberdade soberana. Seu ponto é que a natureza humana é una. Se começamos a descer às profundezas de nossa natureza espiritual, outras profundezas também se desvelam. Teremos de enfrentar a fome existencial, a vulnerabilidade, o desejo de conforto: experiências que podem assumir a forma de um assalto.

O progresso na vida espiritual exige uma configuração do nosso eu físico e afetivo em sintonia com a maturação contemplativa; caso contrário, há o risco de que a exposição espiritual busque válvulas de escape físicas ou afetivas e que tais escapes sejam racionalizados como se fossem, de algum modo, eles próprios “espirituais”, de uma ordem superior à dos delitos dos mortais comuns.

A integridade de um mestre espiritual se manifestará em sua conversa e em seu ensinamento, mas não apenas nisso; será evidenciada também em seus hábitos on-line, em seu comportamento à mesa e no bar, em sua liberdade em relação à adulação dos outros.

A vida espiritual não é um acréscimo ao resto da existência. Ela é sua alma. Devemos guardar-nos de todo dualismo, lembrando sempre que o Verbo se fez carne para que nossa carne fosse impregnada do Logos. É necessário vigiar tanto a esquerda quanto a direita e prestar atenção — insiste Bernardo nesse ponto — para não confundir uma com a outra. Devemos aprender a estar igualmente à vontade em nossa natureza carnal e espiritual, para que Cristo, nosso Mestre, possa reinar pacificamente em ambas.

Quem é o pregador do Retiro pro Papa e para parte da Cúria Romana?

Bispo Erik Varden, O.C.S.O. (nascido em 13 de maio de 1974), é um prelado católico norueguês, monge trapista (cisterciense), escritor e conferencista de destaque na Igreja Católica contemporânea. Cresceu numa família protestante não praticante na Noruega e converteu-se ao catolicismo na adolescência (aos 16 anos), após ser tocado pela audição da Sinfonia n.º 2, de Mahler. Estudou em Cambridge, Paris e Roma, especializando-se em línguas siríacas, história monástica e antropologia cristã. Em 2026, foi escolhido para pregar o retiro quaresmal da Cúria Romana para o Papa.

A palavra “castidade” pode soar como algo profundamente negativo e antiquado para muitas pessoas. Contudo, diferentemente do que se entende à primeira vista, a castidade está longe de ser uma repressão dos afetos e dos sentidos ou desprezo do corpo.

*Josenildo Melo é Vaticanista.

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Sobre Josenildo Nascimento Melo é jornalista, estudou direito, é Bacharel em Serviço Social pelo ICF - Instituto Camillo Filho. É também licenciado em Filosofia pelo ICESPI - Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí.
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