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Quando a farda pesa mais que o crime: a queda do sargento Mota

Condenado a mais de quatro anos por furto e tentativa de destruir provas, policial é expulso da PM do Piauí e deixa cicatriz na corporação

25/02/2026 às 08h53 Atualizada em 25/02/2026 às 10h04
Por: Redação GH1
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Ex-sargento Mota - Foto: Reprodução
Ex-sargento Mota - Foto: Reprodução

A trajetória do 3º sargento Avelar dos Reis Mota, conhecido como sargento Mota, terminou como começam muitos escândalos institucionais: com incredulidade pública e desgaste interno. Polêmico e atuante, ele pisou na bola. E pisou feio. O resultado não foi apenas constrangimento administrativo, mas condenação criminal definitiva e exclusão da Polícia Militar do Piauí. A farda, que simboliza autoridade, tornou-se peso morto.

A sentença é clara e dura. Mais de quatro anos de reclusão, precisamente 4 anos, 2 meses e 12 dias, por furtar um perfume de uma residência no bairro Areias, em Teresina. Não se trata de boato de quartel ou sindicância inconclusa. A condenação foi formalizada em 15 de outubro de 2025, com base em imagens, depoimentos e boletim de ocorrência. A Justiça não deixou margem para dúvida.

O episódio, por si só, já seria grave. Um policial militar entrando em imóvel com chave falsa para subtrair bem particular é mais que crime comum. É ruptura simbólica. É o guardião atravessando a linha e invadindo a casa que deveria proteger. Mas o enredo ficou ainda pior quando a investigação apontou tentativa de danificar câmeras de segurança para ocultar o delito. Não foi impulso. Foi método.

O juiz destacou o abuso da função pública e os antecedentes do militar como elementos que agravaram a pena. Quando um agente do Estado utiliza o conhecimento, a autoridade e a condição funcional para cometer crime, o dano deixa de ser individual. Passa a ser institucional. É como ferrugem em engrenagem oficial. Corrói por dentro.

A exclusão administrativa veio na sequência previsível. Conforme explicou o comandante-geral, condenações superiores a dois anos levam automaticamente o militar ao crivo de conselho disciplinar. A engrenagem do Código de Ética foi acionada. E o veredito foi inequívoco: incapaz de permanecer na corporação.

A decisão fundamentou-se no artigo 26 da Lei Estadual nº 7.725/2022. A sanção aplicada foi exclusão a bem da disciplina. Expressão seca, mas carregada de significado. Em termos práticos, significa que a instituição reconheceu que manter o sargento em seus quadros seria institucionalizar o descrédito.

Os crimes e transgressões elencados vão além do furto simples. Apropriação de bens particulares, utilização da condição de policial para obtenção de vantagem pessoal, dano a patrimônio privado e conduta que concorreu para o desprestígio da corporação por crime doloso grave. Não é lista leve. É prontuário que pesa.

Há algo de emblemático nesse caso. Um perfume pode parecer objeto trivial. Pequeno, quase banal. Mas, em contexto institucional, funciona como metáfora. Não é o valor do frasco. É o cheiro de desvio que contamina a imagem da polícia. Quando a farda entra pela porta errada, todo o batalhão paga a conta simbólica.

A tentativa de destruir câmeras é outro ponto revelador. Quem tenta apagar imagem sabe exatamente o que fez. Não há ingenuidade tecnológica nisso. Há consciência da culpa. É o gesto clássico de quem, ao perceber o erro, escolhe aprofundá-lo.

A reação da corporação foi célere dentro dos trâmites legais. A Corregedoria confirmou a exclusão após conclusão do processo disciplinar. O recado interno é claro. A tolerância institucional tem limite. E esse limite foi ultrapassado.

Ainda cabe recurso. O devido processo legal assegura esse direito. Mas a condenação já é fato jurídico consolidado. E, no plano administrativo, a exclusão está determinada. O sargento Mota deixa a corporação não como vítima de perseguição, mas como protagonista de sua própria queda.

No fim, o episódio serve de alerta. Autoridade sem integridade vira caricatura. Poder sem ética vira abuso. A farda amplifica virtudes, mas também amplia desvios. Quando quem deveria proteger invade, quando quem deveria garantir a lei a viola, não é apenas um policial que cai. É a confiança pública que tropeça junto.

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