
O estudante paulista Eric Bartunek, de 17 anos, conseguiu viabilizar a conexão de aproximadamente 140 escolas públicas da região amazônica à internet via satélite da Starlink, serviço da SpaceX. A iniciativa, construída a partir da articulação para doação de antenas, deve beneficiar cerca de 14 mil estudantes, segundo o Instituto Redes Conectadas. As primeiras unidades já estão em funcionamento em municípios do interior do Amazonas.
O interesse de Eric pela educação surgiu em 2022, após uma visita a Sobral (CE) com a Fundação Lemann. O jovem ficou impressionado com a qualidade do ensino público da cidade e com o engajamento de alunos e famílias. Filho do gestor de fundos Florian Bartunek, ele se surpreendeu ao ver que estudantes da rede municipal acompanhavam conteúdos semelhantes aos de seu colégio privado em São Paulo, o que o motivou a buscar formas de ampliar oportunidades educacionais em regiões mais isoladas.
Inicialmente, a meta era conectar apenas dez escolas em Manicoré (AM). Após pesquisas e contatos com organizações do setor, Eric identificou que a falta de internet é um dos principais entraves para a educação pública, sobretudo no Norte. Depois de insistir junto à SpaceX e apresentar o projeto, que se encaixou na iniciativa “Starlink for Good”, o plano ganhou escala e garantiu a doação de 140 antenas. A instalação ocorre com apoio da MegaEdu e do Instituto Redes do Futuro, com previsão de concluir todas as conexões até o fim de fevereiro. O custo dos equipamentos e da mensalidade no primeiro ano será coberto pela Starlink e por doações articuladas pelo estudante.
Especialistas ressaltam que a conectividade escolar ainda é um desafio no país. Dados do Ministério da Educação indicavam que, em setembro de 2025, cerca de 35% das escolas públicas não tinham internet adequada, problema concentrado principalmente na região Norte. Além de beneficiar alunos e professores, a chegada da conexão tende a impactar comunidades inteiras, já que muitas escolas funcionam como pontos de apoio local para comunicação, acesso a serviços e integração entre gestores educacionais. Eric afirma que pretende estudar economia e educação nos Estados Unidos em 2026, mas quer retornar ao Brasil para seguir atuando em projetos voltados ao ensino público.
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