
A Microsoft apresentou novos avanços em uma tecnologia que promete mudar a forma como dados são preservados por longos períodos. A iniciativa, chamada Project Silica, utiliza placas de vidro para armazenar arquivos digitais com alta durabilidade. A proposta surge em meio ao desafio global de guardar grandes volumes de informação por décadas ou séculos, já que mídias tradicionais, como discos rígidos e fitas magnéticas, sofrem desgaste e exigem manutenção constante.
No projeto, os dados não são gravados na superfície do material, mas no interior do vidro, por meio de lasers de femtossegundo, pulsos extremamente rápidos e precisos. Esses lasers criam estruturas microscópicas chamadas voxels, capazes de representar mais de um bit de informação. Com isso, o sistema alcança alta densidade de armazenamento, superior a 1 gigabit por milímetro cúbico, segundo estudo publicado na revista Nature.
A leitura das informações é feita com microscopia avançada que detecta pequenas variações no vidro. Em seguida, redes neurais convolucionais interpretam os padrões gravados para reconstruir os dados. Antes de serem escritos, os arquivos passam por um processo de codificação com correção de erros, semelhante ao usado em redes 5G, o que aumenta a confiabilidade na recuperação futura.
Atualmente, cada bloco de vidro pode armazenar até 4,84 TB, mas o processo ainda é lento, gravar completamente uma placa pode levar mais de 150 horas. Mesmo assim, testes de envelhecimento acelerado indicam que o material pode preservar dados por mais de 10 mil anos em temperatura ambiente. Apesar do potencial, a tecnologia ainda enfrenta desafios de escala para lidar com o crescimento acelerado do volume de dados no mundo.
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