
O governo da Rússia bloqueou nesta semana o acesso ao WhatsApp e ao Telegram, aprofundando a política de restrições a plataformas estrangeiras de comunicação. A medida também atinge Facebook e Instagram, ambos da Meta, e passa a promover como alternativa oficial o aplicativo estatal Max, apresentado pelo governo como um “mensageiro nacional”.
Segundo o Financial Times, o bloqueio ocorreu de forma abrupta na quarta-feira (11) e afetou milhões de usuários. Até então, o WhatsApp reunia cerca de 100 milhões de contas ativas no país. A ofensiva foi viabilizada pela centralização do tráfego de internet em servidores controlados pelo Estado, o que permite ao órgão regulador Roskomnadzor remover serviços inteiros do sistema nacional de acesso à rede, tornando-os simplesmente inacessíveis à população.
A justificativa oficial do governo gira em torno de “soberania digital” e “segurança nacional”. Na prática, porém, analistas apontam para um avanço do controle estatal sobre a comunicação privada. Diferentemente do WhatsApp e do Telegram, que utilizam criptografia, o aplicativo Max não oferece proteção das mensagens. Segundo o site 9to5Mac, todo o conteúdo trocado na plataforma pode ser lido pelas autoridades. O modelo é comparado ao WeChat, conhecido pela integração com sistemas de vigilância governamental na China.
O bloqueio, no entanto, gerou reações negativas até entre apoiadores do Kremlin. O Telegram é amplamente utilizado por militares russos envolvidos na guerra da Ucrânia, servindo tanto para comunicação pessoal quanto para alertas sobre ataques de drones e mísseis. Relatos indicam irritação inclusive entre aliados do presidente Vladimir Putin, que dependiam do aplicativo para obter informações rápidas em áreas sensíveis. A decisão evidencia que a escalada do controle digital, além de restringir liberdades, começa a gerar custos políticos internos para o próprio regime.
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