
Não se sabe se por ingenuidade, descuido ou pura crença na impunidade, mas um criminoso que ostentava armas, dinheiro e drogas nas redes sociais terminou fazendo aquilo que todo delinquente vaidoso acaba fazendo: chamou a atenção da polícia. O desfecho foi previsível. Ele foi preso na tarde desta quinta-feira (5), no município de Altos, na Grande Teresina. O detalhe que transforma o caso em símbolo de algo maior é que o homem estava foragido da Justiça após romper a tornozeleira eletrônica.
A prisão, em si, não surpreende. Surpreende o roteiro. O suspeito, que deveria estar sendo monitorado pelo Estado, continuava circulando livremente, traficando drogas e usando a venda de milho como fachada. Uma cena que mistura improviso criminoso com falência institucional. O sujeito tinha tornozeleira, mas não tinha medo. E isso diz muito.
A pergunta é apenas “quem é o criminoso?”, mas “por que ele estava solto?”. Que crime cometeu antes? Em que circunstâncias a Justiça decidiu que uma tornozeleira eletrônica seria suficiente para contê-lo? Houve erro de avaliação, excesso de benevolência ou simples aposta em um modelo que já dá sinais evidentes de esgotamento?
A tornozeleira eletrônica foi vendida ao público como alternativa moderna à prisão, uma solução civilizada, tecnológica e menos onerosa. Na teoria, funciona. Na prática, casos como o de Altos expõem o óbvio: o equipamento monitora o corpo, não a intenção. E criminoso que decide continuar no crime não vê a tornozeleira como freio, mas como acessório descartável.
Rompeu, fugiu, seguiu traficando. Simples assim.
A atuação da polícia, é preciso reconhecer, foi eficiente. Houve integração entre Polícia Civil, Polícia Militar, DRACO, BEPI e Delegacia Seccional de Altos. O trabalho de inteligência funcionou. Mas aqui está o ponto central do debate: a polícia prende, o sistema solta, o criminoso reincide. E a conta volta para a sociedade.
O caso de Altos está longe de ser isolado. Ele se soma a uma sequência cada vez mais frequente de presos monitorados que rompem a tornozeleira e passam a figurar na categoria informal dos “foragidos com CEP conhecido”. Muitos continuam cometendo crimes, inclusive tráfico, roubos e homicídios, como se o rompimento do equipamento fosse apenas mais um detalhe burocrático.
E aí surge a pergunta incômoda que o sistema evita responder: de que serve uma medida alternativa à prisão se ela não impede a continuidade do crime? Mais ainda: quantos condenados ou investigados hoje rompem tornozeleiras no Piauí e simplesmente desaparecem do radar do Estado, transformando-se em foragidos ativos?
A tornozeleira eletrônica, que deveria ser instrumento de controle, começa a ser vista por parte da sociedade como símbolo de frouxidão penal. Não por preconceito, mas por experiência empírica. Quando o crime se adapta mais rápido que o sistema, algo está errado.
Segurança pública não se faz apenas com tecnologia, discursos ou estatísticas seletivas. Faz-se com critérios rigorosos, decisões responsáveis e, sobretudo, com a clara noção de que nem todo criminoso pode, ou deve, ser tratado como se estivesse apenas em desvio temporário de conduta.
O caso de Altos não é exceção. É alerta. E todo alerta ignorado, cedo ou tarde, vira tragédia anunciada.
ARENA DAS DUNAS Evento de Janja termina com deputada do PT ferida e expõe contradição no discurso da esquerda
FEMINICÍDIO Mulher é encontrada sem vida com faca cravada no rosto; caso choca Teresina
VOX BRASIL “PTMaster” amplia desgaste, pressiona pré-campanha de Lula cai na pesquisa Mín. 23° Máx. 32°