
Picos amanheceu com uma pergunta atravessada na garganta: quem matou Vicente Barão? Mais do que isso, por quê, como e sob quais circunstâncias um jovem cantor de 26 anos foi executado a tiros no Centro da cidade, em plena via pública, sem que até agora haja respostas claras.
Francisco Vicente Pereira Barão Vieira, conhecido artisticamente como Vicente Barão, foi assassinado na madrugada desta sexta-feira (6), na Rua Frei Ibiapina. Moradores ouviram os disparos, saíram de casa e encontraram o corpo estendido no meio da rua. O SAMU foi acionado apenas para confirmar o óbito. A morte já havia vencido qualquer tentativa de socorro.
A cena do crime é, por si só, perturbadora. Estojos de pistola espalhados pelo chão, projéteis próximos ao corpo e a execução em um dos pontos centrais da cidade indicam que não se tratou de um disparo acidental nem de um ato impensado. Houve método. Houve intenção. E houve ousadia.
Até agora, o que se sabe é o básico. A Polícia Militar isolou a área. A perícia recolheu o material balístico. O corpo foi removido pelo IML. A investigação ficou a cargo da Polícia Civil. E só.
Mas Picos quer saber mais.
Havia testemunhas diretas?
O cantor estava sozinho?
Foi surpreendido ou perseguido?
Há imagens de câmeras de vigilância públicas ou privadas nas imediações?
Quantos disparos foram feitos e de que arma?
O crime tem relação com desavença pessoal, execução encomendada ou outro tipo de motivação?
Por enquanto, o silêncio é ensurdecedor.
Vicente Barão não era apenas mais um nome na crônica policial. Ele integrava o Grupo de Percussão Origens, projeto musical e social com quase 20 anos de atuação em Picos, voltado à inclusão de jovens em situação de vulnerabilidade por meio da música. Também construía carreira solo e era reconhecido no meio cultural da cidade.
Sua morte atinge não apenas a família e os amigos, mas um projeto social inteiro, uma geração de jovens e a própria cena cultural picoense. Quando um artista é executado no meio da rua, a violência ultrapassa o indivíduo e atinge o tecido social.
Este foi o segundo homicídio registrado em Picos em 2026. O número, isoladamente, pode parecer pequeno. O contexto, não. Crimes assim enviam um recado claro: a violência perdeu o medo, ganhou espaço e passou a agir sem disfarces.
Matar alguém no Centro da cidade, de madrugada, a tiros, é um gesto de afronta. À polícia. À Justiça. Ao Estado. E, sobretudo, à população, que passa a viver sob a sensação de que ninguém está realmente protegido.
Investigar homicídios não é apenas identificar autores. É dar respostas à sociedade, restabelecer minimamente a confiança e impedir que o crime vire rotina. Cada dia sem esclarecimento amplia rumores, alimenta medo e fortalece a impunidade.
Enquanto isso, a pergunta continua ecoando nas ruas de Picos e em todo o Sul do Piauí:
Quem matou Vicente Barão?
E até que essa resposta venha, o silêncio das autoridades será tão barulhento quanto os tiros que encerraram, de forma brutal, a vida de um jovem artista.
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