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Polícia FORAGIDO DA JUSTIÇA

Oruam some do mapa: rapper viola tornozeleira dezenas de vezes e entra na condição de foragido da Justiça

Após 66 violações do monitoramento eletrônico e a cassação do habeas corpus pelo STJ, cantor desaparece, tem prisão preventiva decretada e levanta suspeitas de fuga deliberada

05/02/2026 às 08h39 Atualizada em 05/02/2026 às 10h44
Por: Douglas Ferreira
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Oruam está foragido após ter revogado pela Justiça habeas corpus da prisão domiciliar - Foto: Reprodução
Oruam está foragido após ter revogado pela Justiça habeas corpus da prisão domiciliar - Foto: Reprodução

A situação de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, deixou de ser apenas um problema de monitoramento eletrônico e passou a configurar um quadro clássico de descumprimento reiterado da Justiça, com reflexos diretos na credibilidade das medidas cautelares no Brasil.

Depois de 66 violações da tornozeleira eletrônica, sendo 28 interrupções em cerca de 40 dias, o rapper agora é oficialmente considerado foragido, com mandado de prisão preventiva em aberto. A sequência de fatos impõe perguntas incômodas, e as respostas, ainda que parciais, apontam para um cenário cada vez mais grave.

Da “falha técnica” à suspeita de fuga deliberada

Inicialmente, a defesa sustentou que os problemas decorreram de falhas técnicas e dificuldades de carregamento do equipamento. A própria Seap confirmou que uma das tornozeleiras apresentava dano eletrônico possivelmente causado por impacto, o que levou à troca do dispositivo em dezembro.

O problema é que, mesmo após a substituição, as falhas continuaram. O novo equipamento também passou a registrar ausência de sinal, desligamentos frequentes e violações ao recolhimento domiciliar noturno, sobretudo em madrugadas e fins de semana. Desde 1º de fevereiro, a tornozeleira está completamente descarregada, sem qualquer contato do monitorado com o sistema penitenciário.

Nesse ponto, a tese de mero “bug” perde força. Falha técnica pode explicar um episódio, talvez dois, mas não dezenas, muito menos a interrupção total do monitoramento no momento exato em que o habeas corpus é revogado.

Por que Oruam fugiu?

A fuga ocorre um dia após o STJ cassar o habeas corpus que o mantinha em liberdade. O timing é revelador. O cantor passou a enfrentar a prisão preventiva imediata, diante do entendimento de que as medidas alternativas se mostraram ineficazes.

Oruam responde por duas tentativas de homicídio contra policiais civis, acusado de participar de ataques com arremesso de pedras durante uma operação policial. Não se trata, portanto, de um processo leve ou meramente administrativo. A perspectiva concreta de retorno ao cárcere ajuda a explicar a decisão de desaparecer.

Onde está Oruam e por que não foi preso?

Até o momento, ninguém sabe onde o rapper está. Sem sinal da tornozeleira, a polícia perdeu o principal instrumento de localização. Diferentemente do que ocorre em prisões domiciliares fiscalizadas presencialmente, o sistema eletrônico depende quase exclusivamente do funcionamento do equipamento.

A dificuldade em localizá-lo expõe uma fragilidade estrutural: quando o monitorado decide simplesmente desligar o dispositivo e desaparecer, a reação estatal é lenta. Entre relatórios, comunicações formais e decisões judiciais, o tempo corre a favor do foragido.

Não há, até agora, confirmação oficial de que Oruam tenha deixado o estado ou o país, mas a ausência prolongada e o silêncio reforçam a condição de fuga deliberada.

Dois pesos, muitas medidas?

O caso reacende um debate sensível: por que foram toleradas dezenas de violações antes da revogação do habeas corpus? Por que a Justiça só reagiu após 28 interrupções relevantes, e não na primeira, na segunda ou na terceira?

A resposta do STJ foi clara: as falhas reiteradas tornaram insuficientes as medidas cautelares, justificando a prisão preventiva. O problema é que essa constatação demorou meses, período em que o monitorado teve liberdade ampla e fiscalização precária.

De cantor monitorado a foragido da Justiça

Hoje, Oruam já não discute mais tornozeleira, bateria ou defeito técnico. A situação avançou para um estágio mais grave: descumprimento consciente de ordem judicial e evasão.

A narrativa defensiva, baseada em falhas do equipamento, encontra seu limite quando o próprio monitorado desaparece. A partir desse ponto, a discussão deixa de ser tecnológica e passa a ser penal.

O caso se transforma, assim, em um símbolo da fragilidade do sistema de monitoramento eletrônico quando não há reação rápida do Judiciário. E, para Oruam, cada dia foragido não é apenas um agravamento processual, é um passo a mais rumo a consequências penais ainda mais severas.

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Alex Miranda VenturiHá 5 meses Navegantesmais uma prova da perseguição contra bolsonaro. Xandão é um bandido!
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