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Silêncio e solidão?

Trapistas referem-se aos monges e monjas da Ordem Cisterciense da Estrita Observância (OCSO), uma ordem católica de clausura, conhecida pela vida austera, oração e silêncio, fundada na abadia de La Trappe, na França, no século XVII. Valorizam o trabalho manual, a sustentabilidade e são mundialmente famosos pela produção de produtos artesanais, incluindo queijos e as autênticas cervejas trapistas.

01/02/2026 às 07h01 Atualizada em 01/02/2026 às 07h38
Por: Josenildo Melo
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Foto: https://www.istockphoto.com/
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Estas duas palavras o assustam? O silêncio é definido como a ausência de som, ruído ou fala, representando um estado de quietude, calma ou interrupção voluntária da comunicação. Mais do que apenas o vazio auditivo, o silêncio funciona como uma pausa reflexiva, um sinal de respeito ou um ambiente para o autoconhecimento e a serenidade.

Já sentiu a sensação de se encontrar diariamente em meio ao barulho e aos ruídos de conversas? E, de repente, dispor de uma data de folga ou feriado? Pessoas espirituais gostam do silêncio e da solidão. E não é uma solidão eterna; são momentos de solidão! Não é o sentimento “subjetivo e doloroso” de isolamento, vazio ou desconexão emocional, caracterizado pela percepção de falta de companhia, suporte ou pertencimento, mesmo quando se está rodeado de pessoas. Estamos “falando” é de solitude (aproveitar a própria companhia).

A solidão propositiva é diferente daquela solidão que gera angústia, ansiedade, tristeza e pode ter impactos negativos na saúde física e mental, sendo considerada uma “inimiga silenciosa”. O contexto abordado aqui é o do silêncio e o da solidão benéfica! E isso existe? Só existe!

Certa vez, depois de um intenso período acadêmico, um arcebispo amigo enviou-me para uma Trapa, para passar o período de férias.

Silêncio e solidão? Na Trapa? Silêncio e solidão diferenciados! Foram 32 dias de puro descanso e, realmente, de algo purificador/restaurador. Na época, tendo apenas 27 anos, ao chegar de volta fiquei com uma vontade danada de ingressar naquele mosteiro e, depois de alguns dias, fui novamente conversar com meu amigo arcebispo. E sabe o que o mesmo respondeu?

“Meu filho, viver alguns dias de solidão e silêncio é importante; agora experimente viver a vida toda em um lugar desses.” Muitos anos depois (agora com 54 anos), percebi que ele realmente estava completamente certo!

Vamos, então, ao contexto moderno e contemporâneo de silêncio e solidão? Já percebeu que muitas pessoas vivem “a correr do bom silêncio e da boa solidão”? Muitos jamais experimentaram o que é recompor as energias e o entusiasmo depois de alguns bons momentos de silêncio e solidão. O mundo vive em um eterno barulho!

Você já percebeu que tem gente que dorme e acorda em meio ao barulho e a companhias “agradáveis” ou não? De que será o medo?

A vida depois dos cinquenta anos começa a clarear a mente e a fazer adentrar à percepção de valores que são inegociáveis! Você tem boa saúde? Fez um bom curso superior ou até mesmo mais de um? Conseguiu comprar seu apartamento ou casa? Tem uma remuneração que dá para viver de forma serena e tranquila? Pois está no lucro, nobre leitor!

Quem convive com as áreas sociais e de saúde tem encontrado todos os dias pessoas em situação realmente difícil, e não cabe fazer julgamentos sobre o que realmente acontece ou aconteceu com estas pessoas. O mundo é cruel. Muita gente faz o bem sem olhar a quem, mas muito mais pessoas deveriam fazer mais pelos outros! E por que você não faz, ao invés de refletir sobre se estão fazendo ou não? E quem disse que não fazemos?

A questão é bem mais profunda! Dentro do raciocínio elaborativo do texto, o que estamos escrevendo é sobre a importância de momentos de silêncio e de solidão salutar e reflexiva!

Silêncio e solidão? Como ver ou rever a vida se não existem parâmetros comparativos de atitudes? A Sagrada Escritura, lida e vivida diariamente, provoca o esquadrinhar da vida. A Bíblia ajuda qualquer pessoa a perceber se anda ou não nos bons caminhos e segundo os mandamentos da lei de Deus!

Dia desses, lembrando-nos desse bom período de férias, recordei as palavras de um bom amigo abade (que comanda um mosteiro) americano:

“Meu filho, os homens fogem de Deus porque Jesus Cristo, Deus, não gosta de atitudes más, e ao fazer o bem muitos homens acham que é simplesmente uma besteira tola e que não gera lucro nenhum.”

Muito tempo depois, soube que este meu amigo era um homem riquíssimo de posses e bens materiais e deixou a vida em um continente tranquilo para simplesmente servir a Deus nos mais longínquos lugares do mundo. Eis o que o bom silêncio e a excelente solidão produzem nos amigos de DEUS!

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Sobre Josenildo Nascimento Melo é jornalista, estudou direito, é Bacharel em Serviço Social pelo ICF - Instituto Camillo Filho. É também licenciado em Filosofia pelo ICESPI - Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí.
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