A razão de todos os males? Afinal, o que é mesmo a razão? A razão é a capacidade mental humana de pensar, calcular, formar juízos e compreender conceitos de forma lógica, permitindo deduzir conclusões a partir de premissas. Ela é fundamental para resolver problemas e distinguir o verdadeiro do falso. Em matemática, é o quociente entre dois números, representando a comparação ou divisão entre duas grandezas. Qual a razão do introito? Acabou de pensar alguém que fez bom uso da razão!
Todos os males são creditados ao dinheiro e, quando o país se enche de escândalos, muitos, de forma rápida e sem fazer muito bom uso da razão, atribuem tudo isso ao dinheiro. É justo, é correto afirmar precipitadamente isso? Lógico que não. O dinheiro faz bem, e quem faz bom uso dele é capaz de ganhar até mesmo o Reino dos Céus, se trabalhar de forma honesta, conseguir acumulá-lo e gerar empregos e renda. O contexto da abordagem deve ser outro! A melhor pergunta não seria: o que leva as pessoas a fazerem tudo por dinheiro?
A razão de todos os males? É o dinheiro? Não é mesmo; agora, “não tem uma religião ou pessoa de fato religiosa” que afirme categoricamente isso? Existe, sim. João Calvino, em seu livro O Pensamento Econômico e Social, chega a dizer, em outras palavras, que viver bem e possuir riquezas financeiras é dom de Deus e um dos sinais de ser um dos eleitos. Agora, também ele fala bastante da piedade, algo salutar e que muitos não levam em conta.
O que é a piedade? O conceito (pietas) ensinado por Calvino se fundamentava no conhecimento de Deus, incluindo atitudes e ações direcionadas à adoração e ao serviço de Deus. Além disso, a pietas de Calvino incluía uma hoste de temas relacionados, tais como o amor nos relacionamentos humanos e o respeito à imagem de Deus nos seres humanos. Essa piedade é evidente em pessoas que reconhecem, por meio da fé experiencial, que foram aceitas em Cristo e enxertadas no corpo d’Ele, pela graça de Deus. Nesta “união mística”, o Senhor declara essas pessoas como pertencentes a Ele, tanto na vida como na morte. Elas se tornam povo de Deus e membros de Cristo pelo poder do Espírito Santo. Esse relacionamento restaura-lhes o gozo da comunhão com Deus e recria-lhes uma nova vida. Liberta-as da escravidão ao mundanismo carnal.
Além do aspecto teológico, João Calvino chega a afirmar que o homem piedoso é capaz de ajudar não somente os seus irmãos de fé, mas todos aqueles que de fato necessitem de apoio e ajuda.
A razão de tudo? De todos os problemas e das maldades humanas? É o dinheiro? Claro e evidente que não. Um excelente patrão remunera adequadamente os seus funcionários e colaboradores. Você conhece a história de grandes homens que demonstraram que não foram apegados ao dinheiro? O exemplo de um deles é Thomas Morus (1478–1535).
Mas quem foi esse que ninguém conhece? Todo bom europeu conhece a sua história, e isso pode se estender a todos aqueles que gostam da literatura de valores. Thomas Morus foi um influente filósofo, estadista, humanista e escritor inglês, famoso por sua obra Utopia e por ser o primeiro excelente católico a ocupar o cargo de Chanceler da Inglaterra, servindo ao rei Henrique VIII, mas sendo executado por se recusar a reconhecer a supremacia do rei sobre a Igreja Católica, tornando-se um mártir e santo.
Thomas Morus é um símbolo de integridade e fidelidade à consciência, defendendo a fé contra as pressões políticas de sua época, afirmando antes de morrer (ao ser executado): “Sou um bom servo do rei, mas primeiro de Deus”. A questão não é o dinheiro, mas a falta de caráter.
O que é o caráter, segundo a Sagrada Escritura? É o caráter — a formação por meio da obediência às leis da vida conforme reveladas pelo Evangelho de Jesus Cristo, que veio ao mundo para que tivéssemos vida e a tivéssemos com abundância. A principal preocupação do homem na vida não deve ser a aquisição de ouro, fama ou bens materiais.
