
Linus Torvalds é chamado de “pai do Linux” não só por ter criado o kernel no início dos anos 1990, mas por continuar liderando o projeto até hoje. Mesmo sem qualquer anúncio de aposentadoria ou afastamento, a comunidade decidiu encarar o inevitável: um dia, Torvalds não estará mais à frente do desenvolvimento. Para esse cenário, foi criado um plano formal de sucessão.
O procedimento está documentado no repositório oficial do kernel em um arquivo chamado “conclave.rst”. O nome faz referência ao processo de escolha de um novo papa na Igreja Católica e não é por acaso. O texto descreve como a liderança do projeto deverá ser reorganizada caso Torvalds não possa mais exercer seu papel central nas decisões finais do kernel.
Atualmente, o Linux é mantido por uma estrutura altamente distribuída, com mais de 100 mantenedores responsáveis por diferentes partes do código. No entanto, a etapa final, que consolida as mudanças e resulta no lançamento de uma nova versão, costuma ser centralizada e conduzida por Torvalds. Em situações excepcionais, como em 2018, outros líderes do projeto já assumiram temporariamente essa função, caso de Greg Kroah-Hartman.
Segundo o plano, se não houver alguém capaz de substituir Torvalds de forma imediata, uma reunião deverá ser convocada em até 72 horas para eleger um ou mais sucessores. A decisão caberá aos principais mantenedores do kernel e a membros do Conselho Consultivo Técnico da Linux Foundation. O resultado deverá ser comunicado à comunidade em até duas semanas. Não há conspiração nem ruptura: o próprio Linus Torvalds aprovou o documento, deixando claro que a continuidade do Linux está acima de qualquer nome individual.
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