Toda pessoa tem suas atividades diárias e obrigações, mas você, bom leitor, em algum momento já parou para pensar e refletir um pouco sobre o quanto muitas pessoas possuem cotidiano sofrimento? O que é mesmo que significa a palavra sofrimento? É uma experiência universal de grande aflição, dor (física ou emocional) ou angústia severa, que surge quando a integridade de um indivíduo é ameaçada ou algo aversivo acontece, envolvendo a resistência consciente à dor ou à infelicidade, podendo ser mental, físico, moral ou espiritual, e levando a sentimentos de amargura, tormento ou desgraça. Só que o contexto da abordagem é em outro sentido.
Você já parou para pensar que, enquanto você come, alguém simplesmente ainda está correndo atrás do que comer? Você já imaginou que existem pessoas para quem todos os dias falta o simples combustível para abastecer sua moto ou carro usado? Enquanto isso, existe quem ganhe sem “trabalhar” e sobre dinheiro até mesmo para esbanjar e sorrir dos outros?
Cotidiano sofrimento ou sofrimento cotidiano? Certo mesmo é que as migalhas que caem das mesas não estão mais adormecendo a consciência dos brasileiros. Muita gente já abriu os olhos e começa a perceber que o custo de vida está elevadíssimo, e “as migalhas que sobram da mesa” produzem muito mais angústias do que alívio e ainda “viciam”. Enquanto isso, os trabalhadores vão se sentindo em constante angústia e apresentam até mesmo aspectos depressivos por, todos os dias, enfrentar algo que modifica a sua rotina.
Você já pensou que existem pessoas que pegam trens gratuitos e acordam cedo, mas há dias em que simplesmente, na estação, avisam que esse “trem quebrou” e hoje não vai funcionar? Já parou para pensar o quanto a pessoa se sente mal e tem que se organizar às pressas para contornar uma situação dessas? Enquanto isso, em certos lugares, existem pessoas que “ganham sem trabalhar” e todo mês o contracheque está recheado de “dinheiro público”.
A vida das pessoas simples, materialmente, não é brincadeira. Tem que realmente ter recebido uma excelente formação acadêmica ou cristã para aguentar tudo isso de forma cotidiana. Há gente para quem dias de alegria são coisa rara em suas vidas!
Meu nobre escritor, há algum livro clássico que trate desta temática? Muitos. Um dos mais conhecidos e que aborda o sofrimento humano, tanto no nível individual quanto coletivo e social, é Os Miseráveis (1862), de Victor Hugo. A obra é reconhecida por retratar diversas formas de miséria — financeira, moral e a falta de amor — na sociedade francesa do século XIX. Mas será que essa problemática era apenas da sociedade europeia e, mais especificamente, da França?
O que o establishment e as castas abastadas da alta sociedade costumam postar nas redes sociais? Por outro lado, existem inúmeras pessoas que, pela manhã, cedinho, ao acordar, não sabem nem o que vai acontecer em um novo dia. Mas isso também é fruto de desorganização financeira? Será apenas isso? Nunca nem nenhum desses quiseram estudar e muito menos ser destaque nas universidades? Pimenta nos olhos dos outros é refresco!
Há tanta gente que viveu cotidiano sofrimento ou sofrimento cotidiano que, nos dias atuais, quer é ficar longe de quem está sofrendo todos os dias. Eis a realidade. Uma das grandezas das ciências sociais é perceber algo além das aparências! No Brasil dos dias atuais, milhões de pessoas sofrem de forma “silenciosa”.
“A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita.” — Mahatma Gandhi
“A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor.” — Joseph Addison