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Quem é Layla Lima Ayub, a delegada presa por suspeita de atuar em favor do PCC

Recém-empossada na Polícia Civil de São Paulo, a delegada é acusada de manter vínculos profissionais e pessoais com integrantes da facção criminosa e de exercer irregularmente a advocacia após a posse

19/01/2026 às 05h13
Por: Douglas Ferreira
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Delegada Layla Ayub está presa temporariamente por suposto envolvimento com o PCC - Foto: Reprodução
Delegada Layla Ayub está presa temporariamente por suposto envolvimento com o PCC - Foto: Reprodução

Quem é Layla Lima Ayub, a delegada presa por suspeita de atuar em favor do PCC

Subtítulo
Recém-empossada na Polícia Civil de São Paulo, a delegada é acusada de manter vínculos profissionais e pessoais com integrantes da facção criminosa e de exercer irregularmente a advocacia após a posse.

Palavras-chave impactantes
Layla Lima Ayub; delegada presa; PCC; advocacia criminal; conflito de interesses; Operação Serpens; Polícia Civil de São Paulo; corrupção policial; crime organizado; prisão temporária; Corregedoria.


A prisão da delegada Layla Lima Ayub, nesta sexta-feira (16), em São Paulo, jogou luz sobre um tema sensível e recorrente no enfrentamento ao crime organizado: a infiltração de organizações criminosas nas estruturas do Estado. Jovem, de aparência discreta e com atuação conhecida na advocacia criminal, Layla havia sido empossada em dezembro de 2025 e sequer chegara a exercer a função quando foi alvo da Operação Serpens.

Antes de ingressar na carreira policial, Layla Ayub atuava como advogada criminalista, com inscrição na OAB do Pará. Segundo as investigações, nesse período ela teria patrocinado a defesa de integrantes do Primeiro Comando da Capital, inclusive em audiências de custódia. O ponto central da acusação é que, mesmo após a posse como delegada, ela teria continuado a advogar de forma irregular, o que é expressamente vedado pela legislação e pelos regulamentos da Polícia Civil.

De acordo com a Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, há indícios de que Layla mantinha vínculos profissionais e pessoais com um homem identificado como integrante da facção criminosa. Essas relações teriam extrapolado o exercício técnico da advocacia e configurado uma atuação de apoio à organização, o que motivou a abertura de procedimentos administrativos e criminais.

A prisão temporária foi decretada com base em elementos considerados robustos pelos investigadores, entre eles a participação da então advogada em atos processuais envolvendo membros do PCC mesmo após a posse no cargo público. “Essa é uma das provas que já produzem efeito contra ela”, afirmou o corregedor-geral da Polícia Civil, João Batista Palma Beolchi, ao comentar o caso.

A Operação Serpens cumpriu mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Marabá, no Pará, além da prisão temporária de Layla e de um integrante da facção que estava em liberdade condicional. As investigações seguem sob condução da Polícia Civil, em conjunto com o Ministério Público do Estado de São Paulo, com o objetivo de aprofundar a apuração e identificar eventuais outros envolvidos.

Em sua defesa, a delegada sustenta que sua atuação como advogada ocorreu antes da posse e que não houve, segundo ela, qualquer favorecimento ilegal ou colaboração consciente com a facção criminosa. A estratégia defensiva deve se concentrar na tese de ausência de dolo e na contestação do enquadramento das condutas como crime.

O caso da delegada presa não é isolado e expõe uma zona cinzenta perigosa entre garantias individuais e riscos institucionais. Em outro episódio emblemático, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar autorizando Lays Lopes Carneiro Barcelos a continuar no concurso para delegada da Polícia Civil de Santa Catarina, mesmo após ter sido eliminada na fase de investigação social por ser casada com um homem condenado por tráfico de drogas em 2016.

A exclusão havia sido mantida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, mas Dino entendeu que a medida poderia violar princípios constitucionais ao transferir à candidata a responsabilidade por um crime que não cometeu, nem do qual participou. Embora juridicamente defensável sob a ótica dos direitos individuais, a decisão reacendeu o debate sobre até que ponto vínculos pessoais com o crime organizado podem, ou devem, ser considerados na seleção de cargos estratégicos da segurança pública, sobretudo diante de casos concretos que mostram como essas fronteiras nem sempre permanecem intactas.

Mais do que um escândalo individual, a prisão de Layla Ayub expõe o desafio permanente de blindar o Estado contra o avanço do crime organizado. A resposta institucional, ao menos neste momento, sinaliza que a vigilância interna funcionou. Resta agora à Justiça esclarecer, com rigor técnico e respeito ao devido processo legal, se a delegada ultrapassou a linha entre a advocacia e a colaboração criminosa, e em que medida.

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