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Polícia NARCOTRÁFICO

Do sossego ao terror: facções transformam cidades pacatas do Norte do Piauí em corredores do narcotráfico

A ofensiva do crime organizado avança sem pedir licença, engole municípios inteiros e impõe o medo como regra, enquanto o Estado corre atrás do prejuízo com operações policiais pontuais

15/01/2026 às 10h14
Por: Douglas Ferreira
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Operação cumpriu 10 mandados de prisão nos dois municípios - Foto: Reprodução
Operação cumpriu 10 mandados de prisão nos dois municípios - Foto: Reprodução

Quem diria que cidades até ontem marcadas pela rotina pacata, como Porto e Nossa Senhora dos Remédios, se tornariam, em tão pouco tempo, pontos estratégicos de distribuição e consumo de drogas. O narcotráfico, que começou a se estruturar na capital piauiense há pouco mais de duas décadas, espalhou-se como uma mancha de óleo por todo o Estado. De Cristalândia a Cajueiro da Praia, não há hoje um único município totalmente fora do alcance das facções.

O que chega junto com elas não é apenas a droga. Chegam o medo, o silêncio imposto, a lei do mais violento. As organizações criminosas passaram a controlar territórios, rotas e pessoas, utilizando um modus operandi que não fica devendo nada às máfias mais cruéis do mundo. Em Porto e Nossa Senhora dos Remédios, o roteiro é conhecido e aterrador: sequestros, tortura e mortes como instrumentos de poder e disciplina interna.

Foi nesse cenário que o Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), uma operação que resultou no cumprimento de 10 mandados de prisão temporária contra integrantes de um núcleo regional de organização criminosa atuante no Norte do Piauí. A ação também executou 17 mandados de busca e apreensão, recolhendo aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais estratégicos para aprofundar as investigações.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, os investigados são suspeitos de envolvimento direto com tráfico de drogas, homicídios, porte ilegal de armas e lavagem de dinheiro. As apurações revelam uma estrutura hierarquizada, com uso sistemático de aplicativos de mensagens para dar ordens, controlar finanças e aplicar punições internas, uma verdadeira empresa do crime, organizada, disciplinada e violenta.

O delegado Laércio Evangelista, coordenador do DRACO, classificou a operação como um avanço relevante no enfrentamento ao crime organizado, destacando a integração entre as forças de segurança. É, sem dúvida, um passo importante. Mas também escancara uma realidade incômoda: o Estado reage, enquanto as facções avançam.

A operação contou ainda com o apoio do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), da Polícia Militar do Piauí, por meio do BEPI, BOPE e do Departamento Geral de Operações (DGO). Os presos foram encaminhados à Delegacia Seccional de Porto, onde permanecem à disposição da Justiça.

O problema, porém, vai além das prisões do dia. O avanço das facções pelo interior do Piauí revela falhas estruturais, ausência prolongada do Estado em áreas sensíveis e uma política de segurança que ainda atua muito mais no combate emergencial do que na prevenção contínua. Enquanto isso, comunidades inteiras aprendem a viver sob o domínio do crime, reféns de um poder paralelo que cresce rápido, se adapta e não respeita fronteiras municipais.

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