O ano de 2026? Ou as ligações perigosas? Mas Ligações Perigosas não é o nome de um livro clássico? Opa. Falemos sobre este livro precioso, então.
No Brasil, há alguns celulares apreendidos que falam sobre “relações perigosas no mundo político”? Siga lendo o clássico livro — considerado por muitos críticos o melhor romance francês do século XVIII e obra-prima da literatura clássica ocidental.
As Ligações Perigosas são 175 cartas trocadas entre os personagens, cuja leitura monta o enredo a partir de diversos pontos de vista. Os protagonistas são o visconde de Valmont, homem cínico e inescrupuloso, e a marquesa de Merteuil, sua ex-amante, não menos cínica, com a qual conversa sobre seu esporte preferido: seduzir belas damas da alta sociedade. Neste momento, deseja conquistar a virtuosa madame de Tourvel, cujo marido encontra-se no exterior, a negócios. Algo “peculiar” na República?
Começou ou ainda está começando? O ano de 2026 ou as ligações perigosas da vida real brasileira? A magia que eterniza uma obra como Ligações Perigosas (1782), de Pierre-Ambroise-François Choderlos de Laclos (1741–1803), está em sua atualidade através dos tempos, em sua universalidade e em sua capacidade de postular com antecipação conceitos apenas muito mais tarde consagrados — nesse caso, as ideias de Freud.
A primeira edição, de 1782, com dois mil exemplares, esgotou-se em apenas duas semanas; seguiu-se nova impressão. Um aspecto das qualidades de escritor de Laclos que escapou à crítica do momento foi a poderosa ironia com que retratou as motivações emocionais mais profundas de seus personagens, bem como os costumes e as instituições de seu tempo, como, por exemplo, a própria religião, a educação das mulheres, o casamento, a caridade e as relações familiares e corteses.
Se essa ironia mostra um mundo tenebroso, sobretudo aos olhos de seus contemporâneos, é também cheia de vida e encanto e, assim como mantém o interesse do mundo pelos “horrores” que vão acontecendo pouco a pouco até o abrupto e enigmático desenlace, tem também a capacidade de deixar tudo em aberto!
Começou ou ainda está começando? O novo ano, o ano de 2026? As ligações perigosas começam a se entrelaçar em Brasília? Que fim terá o início dessas relações orquestradas de forma tão organizada? Vai realmente respingar ou não em alguém, em algum ou em alguns?
Antecipando ideias psicológicas que somente viriam à tona mais de um século depois, tendo como inspiração o romance epistolar Júlia ou A Nova Heloísa (1761), de Rousseau, Laclos mergulhou nas profundezas de seus personagens, retratando os costumes e as instituições de seu tempo.
Ligações Perigosas teve inúmeras adaptações para o teatro e para o cinema — as mais famosas dirigidas por Roger Vadim (1959), Stephen Frears (1988) e Milos Forman (1989) —, com performances que renovam o espírito provocador e revolucionário deste excelente clássico, sempre atual.
Para avançar na leitura, o correto é avançar pelos clássicos. Algo clássico significa, em outras palavras, algo precioso e aprovado pela grande maioria dos leitores. São livros que se eternizaram!